
Acordei e já me pus logo de pé. Um belo banho e lá estava eu quase pronto, penteando o meu cabelo quando:
- Psiu, psiu!
Diante de mim uma voz, um rosto familiar, um olhar sinistro e penetrante.
- Quem é você? – Perguntei, assustado.
- Quem é você?! Como ousa perguntar a você mesmo quem você é?
- Como quem sou? Eu sou eu mesmo!
- Mesmo sendo eu?
- Como posso eu ser você?
- É simples, pois eu sou o seu clone.
- Minha mãe não teve gêmeos. E eu, muito menos, um clone.
- Não? Nós somos idênticos. Falamos e fazemos as mesmas coisas. Os gestos são sincronizados. Os movimentos têm a mesma cadência…
- Chega! Eu não quero ter alguém vigiando e vivendo a minha vida.
- A nossa vida. O nosso dia-a-dia. Existimos, você e eu.
- Não quero mais que você me observe.
- Mas é você quem não tira os olhos de mim.
- Só tem um jeito de acabar com tudo isto.
- E o que vai fazer?
- É simples. Vou sair de frente do espelho, seu calhorda!
- Não se odeie tanto! Sai o espelho de hoje e entra o de amanhã. Quando acordar, sua vida volta para o espelho e nos encontraremos de novo.
Nunca pensei que os meus reflexos me trairiam um dia. E se amanhã o meu clone resolver ser eu mesmo? Como eu seria sendo ele? Só o encontro no espelho tem a resposta. Basta que eu me encare de frente.
Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta
@atrottamg














O espelho externo reflete o que somos por dentro e por refletir no espelho o que pensamos ser por fora as formas entram em conflito. Muitas vezes não gostamos do que vemos porque ainda não conseguimos enxergar nossa Essência Iluminada. O espelho mostra o personagem… Em todo lugar e em todos há um espelho que mostra um pouco de nós…e o reflexo de nós mesmos, muitas vezes nos incomoda… Sua abordagem do Espelho reflete em nós uma grande reflexão. Quem sou eu? Sou meus problemas, minhas angústias e tristezas, minha frustração e meus pensamentos confusos? Ou apenas estou transitando por tudo isso?