Ciro, o grande rei da Pérsia e seus súditos
Na Pérsia antiga, um rei era coroado com pompas e circunstâncias, além de ritos e mistérios que envolviam toda a coroação diante de seu povo. Que destino tinha o chá das folhas de lima-da-pérsia?
Mais um mistério que intriga a nossa compreensão moderna e todos os avanços que já conquistamos até nossos dias. Quem pretendesse chegar ao trono da Pérsia como Grande Rei precisava passar por uma cerimônia real constituída por detalhes minuciosos e, no mínimo, curiosos. Para ser um legitimo sucessor do grande Ciro, muito era necessário realizar para se sentar ao trono.
Pasárgada era a antiga capital onde a cerimônia habitualmente acontecia em um grande templo dedicado a uma deusa associada à guerra, que podemos assemelhar à deusa grega Atena. Nem tudo ainda está revelado ou descoberto, porque o chá das folhas de lima-da-persa era tão secreto, que apenas indícios e suposições podem ser levantados sobre ele.
Vejamos em mais detalhes. O postulante a novo Grande Rei deveria iniciar o rito, adentrando ao templo com suas próprias vestimentas e, já no interior do templo, trocá-las pelo manto usado pelo grande Ciro, quando subiu ao trono. Numa espécie de prova, o candidato à coroa deveria se alimentar de um pedaço de uma espécie de bolo de figos e mascar lascas de galhos de terebinto.
O terebinto é uma árvore oriunda de territórios que atualmente são a Turquia e a Síria. Agora, aqui há um processo ritualizado que chama a atenção, pois o ainda não consagrado rei deveria beber um copo de leite azedado, sobre o qual não há maiores informações, como registra Plutarco em sua obra intitulada “O Ritual da Síria”. Se não há mais informações o que encontrar e decifrar sobre o ritual do chá das folhas de lima-da-pérsia?
O possível rei só seria coroado se completasse todo o ritual, (seria o chá de lima-da-pérsia servido com o bolo de figos e as lascas de terebinto?); a sequência seria desconhecida, negada e proibida a qualquer um que não fizesse parte desse processo, sobretudo a um estrangeiro. A simbologia e os atos nos chamam a atenção e aguçam a nossa curiosidade. Há tanto a saber e a ser revelado!
A Pérsia e seu povo tem seus próprios rituais, sua cultura, suas cerimônias e seus mistérios. Aliás, o próprio mistério constitui grande parte do processo de criação do imaginário popular mundial. Quanto ainda temos que aprender e conhecer dessa civilização, de suas estratégias, de sua sabedoria e de seus chás! Mistérios, mistérios e mistérios.
Direto de algum lugar do presente.
Farah Belak – Jornalista e Crítica Gastronômica (Sommelière en thé)
Antônio Décio de Carvalho – Jornalista, Revisor e Consultor

Os três maiores reis da Pérsia: Ciro, o Grande (Ciro II), Dario, o Grande (Dario I) e Xerxes I: Filho de Dario














Sempre muito bom aprender.a história nos revela fatos interessantes.gratidao pelo texto
Seria um caminho iniciático?
Muito bom!!!
A história não é só passado, ela é enigmática e cheia de surpresas. Ela nos ensina e nos oferece possibilidades.