Viver em uma van tem seus desafios, aliás, tem seus próprios desafios, visto que esses são enfrentados em qualquer tipo de moradia. Neste momento penso nas adaptações necessárias para enfrentar diferentes temperaturas, especialmente, as dificuldades geradas pelo frio. No calor, nos dias de sol, tudo parece mais fácil, a luz solar toca no nosso teto, enchendo as placas solares de energia, nos proporcionando o conforto das lâmpadas e do ar-condicionado, se esse for do modelo capaz de funcionar com as baterias da casinha. Ao sol, usamos pouca roupa, de tecidos leves, fáceis de lavar e secar. Ao sol, é simples limpar a casa, para mim o sol tem cheiro. Os objetos, a cama, as roupas, em tudo consigo sentir cheiro de sol. O desafio maior, para mim, nas casinhas andantes, é o enfrentamento de dias frios, sombrios, sem sol. Nos lugares frios, a paisagem tem cores mais densas, o verde fica emoldurado pelo nevoeiro, é lindo e tem seu encanto, se a gente estiver agasalhado, é claro!

Na casa grande temos fogão a lenha, ar-condicionado, todo o conforto de um ambiente protegido. Na estrada temos que contar com o aquecedor a óleo, o nosso é ligado ao tanque de combustível. O maior perrengue que tivemos, relativos ao frio, não foi em montanhas geladas da Argentina ou do Chile, mas no interior do Rio Grande do Sul, na serra gaúcha. Cidade pequena, poucos habitantes, muitos afetos. Nesse local, no início de uma madrugada, nosso aquecedor parou de funcionar. Lá fora a temperatura caíra a 4 graus negativos. O dia tinha sido nublado, frio, as paredes da nossa casinha não tinham sido aquecidas pelo sol durante o dia. Em pouco tempo a gente sentiu como se estivéssemos dentro de uma geladeira. Eu tenho meu próprio “ponto de congelamento” que nem eu mesma sei explicar. Depois que me congelo, passo a tremer e parece que me falta a respiração. Devo chegar perto da hipotermia. Foi o que ocorreu naquela madrugada. Colocamos todas as cobertas sobre nós, meu marido enfrenta melhor o frio, consegue se aquecer mais rapidamente. Não conseguia manter seu calor porque precisava me abraçar, me envolver com seus braços e pernas, mas meu corpo permanecia gelado, não sentia meus pés, apesar de estarem enrolados com manta, blusão e tudo mais que tinha nas gavetas. Impossível dormir naquela noite interminável. Pensando em estratégias de sobrevivência, o jeito que encontramos para aquecer o ambiente foi acender o forno a gás e deixar a sua porta aberta. Eu optei por ficar encolhida à beira do fogão, assim consegui derreter um pouco o gelo dos meus pés. Quando meu marido se livrou do meu corpo gelado, quase ao amanhecer, dormiu encolhido e aquecido na cama. Eu acordada, sentada quase dentro do fogão. Não morri. Mas quase!














Os perrengues fazem parte da vida nômade, mas na maioria dos dias são de puro prazer…..
Esse pra mim foi um perrengue dos grandes!
Nunca ligue o forno e fique se aquecendo na porta aberta. Gás mata.
Imaginei o frio.
Dicas: O frio vem de baixo. Coloque cobertor sob lençol.
Dica 2: Use 2 pares de meia e 2 meias calças se precisar. 2 segunda pele.
Dica 3: Durma de blusão.
É uma aventura e tanto esta tua viagem ao frio.
Segue relatando.
É inspirador.
Abraços.
Mára – escritora
Obrigada pelas dicas!
Bah, deu frio só de imaginar! Que perrengue!
Que bom que te passei a minha sensação!
Sei como é tentar se aquecer e não conseguir. É terrível! A noite não passa e não se vê a hora de amanhacer . Você consegue me transportar para sua experiência através de seus textos! Parabéns! Maravilhosa!
Obrigada pelo delicado comentário!
Amiga, deu pra sentir o frio que vc passou Imagino que na casinha andante tenha destes perrengues as vezes. Gosto mais do calor, com sol tudo fica melhor. Bjos pra vc e pro Gilberto
Que bom que te passei a minha sensação de frio! Kkk.
Bah…me deu frio só de imaginar o que passaram… frio de não conseguir se aquecer direito é bem real… e lendo isso eu já pensei: levaria sempre duas bolsinhas de água quente — ajudam debaixo das cobertas e, com os pés quentinhos, o corpo aquece junto.
Boa ideia! Obrigada!
Que perrengue!! Eu fiquei imaginando a situação que vocês passaram, especialmente você Maria Élida. O frio congelante é insuportável! A experiência foi de muito aprendizado. As dIcas dos seus leitores são valiosas. Fico feliz do dia ter amanhecido e você sobrevivido!!’
Eu estou adorando as dicas! E gostei de ter sobrevivido! Kkk
Uma experiência para não querer repetir !
Deve existir um plano B para esta situação e desejo saúde e cuidados para este casal aventureiro .
Espero não repetir…estou anotando todas as dicas dos leitores!
Tenho verdadeira ojeriza ao frio, nem me imagino numa situação dessa. Cinco bolsas de água quente (ótima dica) talvez não fossem suficientes heheh
Concordo contigo! Quase cheguei no ponto do “não retorno “…kkkkk
O que seria na fila dia dia de chuva
Kkkkkk
O que seria…
Imagino a noite horrível que passaste. Eu sou friorenta, toda mudança de tempo me deixa enlouquecida, por isso não gosto do inverno, mesmo com suas belezas bucólicas. Certa vez, muitos anos atrás fui a Vacaria fazer uma palestra tremendo o tempo todo. O pessoal, muito solicito, providenciou uma bacia de água quente e um cobertor de ovelha. Quase morri de vergonha, mas me fez um bem danado!!
Lembro também de um frio terrível que passamos juntas em Encruzilhada do Sul…mas isso foi na outra vida! Kkkkk
Incontáveis e maravilhosos momentos e alguns perrengues… Extremos sempre são ruins (frio/calor)…
É isso…perrengues medianos são suportáveis! Não foi o caso desse aí…
Amiga estradeira, o perrengue do calor me afeta muito mais. Acho bem mais fácil se proteger do frio… Mas nem só de perrengues climáticos vivem os nômades! Acredito que os piores são os mecânicos, no meio da estrada, até quando um pneu fura.
Perrengues, perrengues…temos muitos! Esse foi dos grandes…
Tadinha…Prefiro sempre o frio…não gosto de calor…mas ” dentro desse gostar e desgostar”…sempre penso e faço alguma coisa para os mais necessitados/ desfavorecidos….no verão …água gelada em garrafinhas de plástico que entrego .. no inverno.. acabei de fazer uma torrada para depois levar para quem precisa…a energia de se alimentar …esquenta o corpo…e aquece minimamente o nosso coração
Que lindo relato, amigo! Obrigada!