Vivo o parque! Ele está sempre à minha espera. Ele acolhe muita gente, de todo lugar. Há os conhecidos, os que estão em casa no parque, há os que chegam pela primeira vez. Todos se encantam, todos o desfrutam, uns pela primeira vez, outros, a cada estada. Todos estão lá, mas o parque nesse momento é só meu. Não me importo com os demais, só sinto o parque. A alameda de plátanos me recebe, se faz sol, as árvores me dão sombra e frescor, se está frio, as folhas das árvores se abrem, deixando passar os raios que pintam meu corpo e chegam ao chão. Caminho entre as folhas, não preciso pensar nos passos, o chão é plano, conhecido, posso pisá-lo de olhos fechados. Ando entre as fontes do parque, são doze, jorrando água naturalmente, todo o dia, todos os dias. Águas que curam o corpo e alimentam a alma. Cada fonte, cada água tem sua especificação, orientações sobre seu efeito e alertas para o seu uso. Sei quase tudo de cor. Atualmente minha memória não é lá essas coisas, estou envelhecendo, mas não esqueço das informações de todas as fontes, de todas as águas. As pessoas leem atentas as orientações a cada fonte, eu não preciso, gravei tudo desde a primeira vez que cheguei ao parque. É preciso escolher cada um a sua água, eu já escolhi as minhas.

Lavo a garganta, faço gargarejos para me proteger de infecções respiratórias. Lavo meus olhos com a água apropriada para eles, meus olhos ardem, mas, logo após, a claridade do dia penetra mais forte através deles, o céu parece mais azul e a floresta mais verde. Sigo pelo chão que está molhado pois muitas pessoas, como eu, também jogaram água nos seus olhos e garganta. Sigo para a fonte onde lavo meu rosto, busco a água radioativa capaz de clarear as machas da pele, é o que preciso agora. Esta fonte é muita usada para tratar sérias lesões cutâneas, até tumores. Cada um com sua ligação energética com o parque, eu, no ritual diário das águas, o tenho só para mim. Faço a caminhada das águas sozinha, nesse momento o parque é só meu, tudo está disponível, forças da natureza estão ao meu alcance. Eu aproveito, usufruo, abuso. Passo por cada fonte, contemplando-as, elas têm uma arquitetura linda, do tempo da família imperial no Brasil. Que bom que eles já foram embora, essa riqueza eles não puderam levar, o parque não é mais o seu jardim particular, é um pedaço da natureza que acolhe a todos. Está na hora do banho de gêiser, uma fonte especial que jorra água radioativa profunda, uma ou duas vezes por dia, é preciso esperá-la, às vezes é frustrante, quando o gêiser teima em não cumprir seu horário de costume. Mas hoje ele deu sinal, está caindo e eu estou embaixo, esperando, me banho enfim. A água me enche de energia, me sinto bem, apesar da água fria e temperatura ambiental baixa. Sou friorenta, mas quando estou sob as águas do gêiser, isso pouco importa, não sinto frio. Após o banho, me seco ao sol, minha pele agradece e me proporciona um conforto único. Minha pele está macia, melhor do que a sensação que tenho ao passar um hidratante de boa qualidade. Sento-me por alguns momentos, escuto o canto dos pássaros, que são muitos, produzindo uma sinfonia que abrilhanta ainda mais a manhã. Vou até o espaço da medalha milagrosa, um recanto para oração e meditação, faço ali meu exercício de silêncio e respiração. Tomo o caminho de volta, devagar, paro um instante em frente à capelinha de Nhá Chica, agradeço a ela por ter me acolhido, de forma tão sublime, no seu jardim. Passo pelo balneário, acho que amanhã vou fazer alguma massagem disponível ali. Sou grata pelo privilégio de viver esse parque mágico nessa manhã. Antes de sair encho minhas garrafas com minha água preferida para beber. Preciso manter em mim a energia dessa água. Até amanhã, Parque das Águas de Caxambu! Voltarei…eu sempre volto!















É com certeza um privilégio poder desfrutar destas energias da natureza, eu consumo as águas da fonte Viotti , desde então não tive mais crises de cálculo renal.