
Sou meio avesso às multidões. Gosto de gente, de pessoas, mas, em números desproporcionais, chego a me sentir sufocado, apertado literalmente e espremido fisicamente no corpo a corpo. Esse negócio de empurra pra lá e pra cá não é o meu forte. Principalmente quando querem nos impor um espírito de rebanho, condução coletiva, muitas vezes desenfreadas, sem controle. Nem tudo é festa.
Já brinquei muitos carnavais e já me senti mais um na multidão. Por hora, prefiro a solidão. Não o isolamento total, mas o desligamento temporário das grandes agitações. Prefiro me recolher com alguns amigos em uma fazenda, roça, sítio, viver a natureza, sentir o ar puro das manhãs. Antes que tudo vire cinzas.
Mesmo quando jovem, não apreciava muito grandes aglomerações. Portanto não é coisa da idade, mas, preferencialmente, uma questão pessoal, do meu jeito de ser e pensar. Assim como, ao contrário, tem muita gente que gosta e curte os quatro dias de Carnaval sem interrupção. Creio, mesmo, que a maioria, conseqüentemente, vai às ruas; são legiões de pessoas participando ou apenas assistindo ao “maior espetáculo da Terra”. Então, “viva a folia!”, para a grande maioria. E “viva a folia!” para quem aprecia sem aglomeração. São escolhas e decisões.
Aliás, toda manifestação popular é bem vinda, ainda mais quando é espontânea, natural, expressão e cultura de um povo. O duro é quando governos resolvem oficializar e a mídia, em geral, enquadrar em sua programação, banalizando e exportando essas manifestações populares, religiosas, étnicas, regionais e culturais. Daí passamos a viver numa “aldeia global”, aumentando desordenadamente e depreciativamente todo tipo de preservação popular natural; as manifestações locais se tornam um produto Made in Brazil, tipo exportação. É a exterminação da cultura.
Assim, governo e mídia nos confinam. Seguimos o script e agimos numa espécie de redoma artificial e mecânica de riso, alegria e diversão. Um autoriza e possibilita a festa; o outro atrai multidões, divulgando para cada folião que tudo pode, e mostra, ao vivo e a cores, que “tá tudo liberado” nos quatro dias de folia. E assim a beleza local, como manifestação popular, vira beleza global simbolizada pela nudez mostrada na telinha.
Neste ano não vou colocar meu bloco na rua. Nem vou matricular-me em uma escola de samba. Apenas, sem fantasia, quero manifestar o meu grito no Carnaval.
Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta
@atrottamg













Amigo e viva a folia em meio ao sossego!!
Viva. Assim, vamos contornando as possibilidades e curtindo o possível.
O que dizer? Muito bom, como sempre… Assino embaixo, penso exatamente igual!
A mim cabe não apenas a idade, mas também ao aglomerado. Acompanho de longe e fico com as recordações de juventude.
Amigo, viva a folia, viva o sossego e a paz!!
Viva. Assim, vamos contornando as possibilidades e curtindo o possível.
Perfeitamente em concordância com você Poeta. Não gosto de empurra pra lá, empurra pra cá, e pisa no pé e a barulheira. Eu também já brinquei o tal carnaval na adolescência… Hoje sou da paz na terra e a boa vontade de ficar em casa, ou na paz da Natureza ouvindo sons que harmonizam, ouvindo a cantiga dos pássaros, o dançar das nuvens e o brilho das estrelas e o frescor do clarão da lua. Quero silêncio… quero reflexão… Quero ler … E aqui estou degustando seu texto durante meu tranquilo café da manhã saboreando a essência que seu contexto carrega. Gratidão Vitalícia por nos proporcionar esses momentos tão agradáveis de leitura e aprendizado!
Eu …já fui muito carnavalesca !
Curtia os carnavais!
Fazia minhas próprias fantasias ; de colombiʻna, de cigana… De índios, nunca …
Sabia todas as músicas, marchinha.s..
Os carnavais marcaram muito minha vida! Trago boas memórias.
Aquele perfume gelado,
Espalhadopelo ar.
Foi o mais doce agrado:
Um convite para amar.
No Carnaval de menina,
Mil manchinha eu cantei.
Inda sou a colombiana
Que sempre e muito te amei.
Pois é. Já fomos foliões. Agora corremos para o silêncio e a natureza. Há um tempo para tudo. Quem gosta, curte. Quem já gostou, procura abrigo em contato com a calmaria.
Pois é. Já fomos foliões. Agora corremos para o silêncio e a natureza. Há um tempo para tudo. Quem gosta, curte. Quem já gostou, procura abrigo na calmaria.
Penso de forma semelhante ao colunista. Em BH, onde resido, em 2009 o prefeito proibiu manifestações públicas na Praça da Estação – amplo espaço no centro da cidade, no período do carnaval. Foi o “apito de cachorro”, o bastante para o povo se reunir numa batucada danada, evento que chamaram: PRAIA DA ESTAÇÃO. Uma gozacão já que BH não tem mar. Foi o primeiro boquinho. Hoje são mais de 600, alguns com milhares integrantes, muitos vindo do interior e até de outros estados, movidos pela fama que cresce a cada dia. Bacana demais né? Só que não é só alegria que reina, reina também a confusão, a falta de educação, o bloqueio do trânsito, xixi pra todo lado, comércio obrigado a fechar as portas, interrupção de muitas atividades produtivas etc etc. Ver de cima dos prédios é uma beleza, no meio da muvuca, muitas vezes é claustrofóbico.
Anteriormente era negócio ficar em BH no carnaval, hoje é o contrário, muitos fazem como o Trotta, correm para um sítio, chácara, fazenda etc. Mais vale o contato com a natureza! Aproveito eu para arrumar a casa, mexer nos armários, organizar o atelier, as gavetas etc. A folia vejo pelas redes sociais. Hoje tomo um banho de imagens do desfile em Niterói com a trajetória inigualável de vida do presidente Luiz Inácio, o maior Estadista vivendo hoje no planeta!
Belo Horizonte têm seus encantos. O carnaval aí ganhou grandes proporções. A alegria é sempre contagiante. Falta melhorar as estruturas. Sigo os carnavais pela telinha da TV.
Que bonito ler seu texto— ele parece soprar a mesma brisa serena que sinto quando escolho o silêncio das montanhas de Minas em vez do turbilhão do Carnaval. Há uma festa secreta na tranquilidade, um batuque manso no coração da paisagem, que só quem desacelera consegue ouvir. Também fico por aqui, celebrando esse sossego que é quase poesia viva!
Que lindo. Seu comentário parece uma paisagem gostosa ao pé da Mantiqueira. Vejo montas é vários tons de verdes. Linda lembranças. Grato.
Se tem algo que posso dizer meu amigo poeta é que nunca fui a bailes de carnaval. Assistia pela televisão os desfiles, apreciava as fantasias que na época existiam, os carros alegóricos que hoje são maiores e de certa forma com mais tecnologia e lindos… Mas nesse meio tempo se perdeu a alegria da festa cultural brasileira e passou a existir o comércio, como em toda datas comemorativas.
Hoje já não existe mais aquela alegria verdadeira nas festas, leio falando sobre muita pornografia (tudo muito liberado, tudo muito normalizado).
Por esses e outros motivos, não tenho a curiosidade e a vontade de ir a bailes de carnaval, prefiro curtir uma festa em casa com a família, um passeio aos parques que aqui existem e são maravilhosos.
Parabéns pelo seu texto, sempre de muito bom gosto.
Então, a vida passa tão depressa e tudo parece virar cinzas em plena quarta-feira. São várias folias e diferentes alegrias. Triste quando tudo torna-se comercial. Vamos inventando maneiras de viver e reviver as emoções.
Gostei do texto, o qual representa minha opinião sobre o carnaval. É uma festa popular apreciada por muitos, mas que infelizmente está degradante.
Também prefiro o sossego do meu lar, ou qd tenho oportunidade, me retirar para um lugar tranquilo, onde posso curtir os sons da natureza.
Grato. Escolhas são sempre bem-vindas. O carnaval são dias para a folia ou o silêncio. Aproveite o seu momento e as companhias.
Assim como Ana Cley, já fui carnavalesca e curtia os bailes de carnaval.
Lindo poema, Ana Cley! Ótimo texto Antonio Trotta!
Hoje prefiro a paz da minha casa, uma boa leitura e um bom filme. Mas ao ouvir as antigas marchinhas e marchas-ranchos, fico cheia de saudade.
Grandes e saudosas lembranças. Tempo que passou e que virou saudade. Boas leituras entre prosas e poesias.
Sossego Trotta. De preferência numa roça só com o barulho do vento, canto dos pássaros, boa companhia e o tilintar de taças de vinho.
Delícia. Um lugar tranquilo para chamar de seu. Ainda mais com uma boa companhia O vinho abre alas…
Concordo com Angela,prefiro SOSSEGO,momento para refletir,estar em paz junto com a natureza e a melhor companhia,com os reinos da natureza,olhar o céu, sentir o vento,o mar,a vida….
Um canto para chamar de seu. Viver em pleno silêncio.
É Carnaval!
Lá vou eu, é Carnaval! Máscaras, confetes, fantasias, que alegria! Uma festa contagiante, toma conta do Brasil, de ponta a ponta. Vem gente de fora, de várias partes do mundo, para ver de perto uma das maiores manifestações culturais do planeta!
É Carnaval, batidas de tambores, pandeiros e chora o cavaquinho, instrumento símbolo do samba nas avenidas. Nos clubes e praças, tem diversão para todas as idades; todos podem participar, brincar e pular o Carnaval, na linguagem popular.
Lá vou eu! Hei, você aí, me dá um dinheiro aí! Olha a celeira do Zezé, será que ele é, será que é! Maria sapatão, sapatão, sapatão… de dia é Maria, de noite é João! E por aí vai! Todo mundo canta, se diverte à maneira que rege a bateria!
É Carnaval, simplesmente um teatro a céu aberto! Cores, luzes, brilho, espetáculo que encanta, comove e escreve novas histórias todos os anos.
Adilson Junior
16/02/26
Na folia é na alegria é carnaval. Uma festa nos quatro cantos do Brasil. É a festa foi povo.
Texto lúcido e necessário. Em tempos de exaltação constante das multidões e da euforia coletiva, lembrar que o recolhimento também é escolha legítima é quase um ato de resistência. Nem tudo é festa, nem toda celebração precisa ser vivida no corpo a corpo. Há quem celebre no silêncio, na natureza, na pausa. E isso também é Carnaval… Escolha, cuidado e respeito.
Sim. Verdade. Tudo uma questão de escolha. Folia ou silêncio. O importante é curtir e aproveitar.
O carnaval parece ser o sinal para que as pessoas possam liberar toda energia e alegria contida na vida cotidiana! Nunca consegui ouvir ou ver este sinal! Gosto de guardar minhas energias para momentos mais singelos como o os amigos, uma conecção com as natureza ou outros momentos singulares e mais tranquilos! Multidão, calor, suor não me deixam encantada! Admiro quem pula o carnaval sem se preocupar com estas questões, só deixam se levar pelo movimento ! Não me vejo meio ao um bloco com um calor de 40 graus , meio a uma multidão ! Salve a tranquilidade !
Salve nossas escolhas. Salve a paz e a folia. As opções são muitas. Viver cada momento.
Concordo com você, meu caro Poeta. Prefiro mesmo é o sossego. Um grande abraço.
Aproveitar para ouvir o silêncio. Buscar paz e sossego.
Me identifiquei muito com essa visão de que o Carnaval também pode ser vivido no silêncio e na escolha de desacelerar. Nem todo mundo se conecta com multidão. Cada um encontra sua forma de viver esse tempo. Uma reflexão que traz leveza e respeito às diferentes maneiras de celebrar.
Sim. Cada um pula à sua maneira. O importante é se divertir no silêncio ou na folia. Vamos curtir a vida. Lllĺll