Olho no relógio do celular. Só faz duas horas que me deitei, disposta a dormir. Li um pouco, fiz palavras cruzadas, fechei a casinha com cuidado, fui para a cama, passando por cima do meu marido, que mal deu um gemido, se ajeitou com a coberta, ele não acorda nem quando preciso passar por cima dele para chegar ao meu lugar na cama. Cheguei ao meu canto e relaxei, coloquei pra tocar no celular uma música calma, bem baixinho, e adormeci. A noite está agradável, não foi preciso ligar o ar-condicionado, deixei uma fresta nas janelinhas do quarto para entrar o frescor da noite. Escutei conversas ao longe, movimento no Motorhome ao lado, meu vizinho chegando do seu programa da noite. Acompanhei o barulho do abrir da porta, água escorrendo do seu chuveiro e depois silêncio. Ele já dormiu e eu fiquei esperando meu sono chegar. O sono veio, dormi, mas logo acordei. Este foi o primeiro acordar de uma noite insone. Como sempre, me vêm à cabeça meus filhos, meus netos, meus irmãos, como estariam todos. Lembro das coisas que fiz durante o dia, lembro que não retirei do congelador a carne que vou cozinhar daqui a pouco. Me viro, me tapo, destapo, me tapo de novo. Sensações de frio e calor sempre se misturam nos momentos de insônia, tenho que colocar coberta e logo depois retirá-la. Isso demanda movimento, e este me desperta mais ainda. Tomo um gole d’água, minha boca está seca, só um gole, pois mais me dará vontade de fazer xixi. Minha boca seca deve ser por causa da cerveja que tomei ontem à noite depois do treino. Só um gole d’água, o suficiente para meus lábios não permanecerem secos, como estão agora. Viro pra lá, viro pra cá.
Agora faz quase quatro horas que eu me deitei disposta a dormir. Mais ou menos uma hora de sono até agora. Meu marido não se incomoda com o meu movimento, no máximo balbucia umas palavras, sem acordar. Tento exercício de respiração, inspiro, seguro o ar e solto devagar. Inspiro, seguro o ar e solto devagar. Penso nos meus filhos, meus netos, meus irmãos, como estariam todos. Viro pra lá, viro pra cá, olho as horas de novo, estou acordada há mais de uma hora. São três horas e pouco da madrugada, tudo está silenciado lá fora, não ouço mais os passos, o vai e vem dos carros e ônibus na avenida ao lado. Lembro de um xamanista que me disse que, entre três e três e meia da madrugada, acontece não sei o quê no universo, que é um momento de grande abertura para a criatividade, preciso aproveitar, pego meu caderno, mas não escrevo nada. Pelo menos nesta noite o portal da criatividade não ficou disponível para mim. Agora vou ter que fazer xixi, não estou com muita vontade, mas minha bexiga não fica sossegada, mesmo com pouco conteúdo, estando acordada, preciso esvaziá-la. Cruzo de novo por cima do meu marido, enquanto faço meu xixi, vejo que o vaso está precisando de uma boa limpeza, vou fazer isso amanhã. Na insônia, sou uma mãe/avó pensando nos seus afetos, uma escritora pensando nos próximos textos e uma dona de casa lembrando do almoço do dia seguinte e percebendo que o vaso sanitário está precisando ser limpo. Volto para o meu canto, me estico, puxo a coberta, olho as mensagens no celular.

Tem sempre um insone digitando nos grupos, a qualquer hora da noite, leio somente, não respondo. Sei que o celular me desperta mais, mas preciso ver as horas e o relógio é um objeto extinto na nossa vida viajante. O portal da criatividade já fechou há tempo, são quase cinco horas. Parece que um soninho está vindo, chegando devagar, mas para na metade do caminho. Agora meu marido acordou, já dormiu pesado por mais de seis horas, é a sua vez de fazer xixi, certamente não perceberá que o vaso está pedindo uma limpeza. Volta logo para a cama, e antes de deitar a cabeça no travesseiro, já começa a roncar de novo. Sinto inveja do seu sono fácil e profundo. Eu penso em todo mundo, no que tenho que fazer na casinha, na minha carne que está congelada, no vaso que preciso limpar, na crônica da semana, respiro, cochilo. Logo começo a ouvir o barulho da rua, está amanhecendo. Daqui a pouco vou levantar-me, abrir a casinha e deixar o sol entrar. Com o sol a gente se renova, que bom que essa noite insone está terminando…












Eu não ronco, pelo menos não ouço….
E assim seguem nossas noites…kkkk
Muito bom! Penso que insônia é a mente lotada mandando em nós. Lotada e ditadora como sempre. Então pegue um papel e anote as tarefas, as preocupações. Pode ser em itens mesmo… Anotou? Agora volte pra cama que o sono vem…
Olha só…vou fazer isso! Obrigada!
Nunca tinha pensado sobre o sono masculino e feminino. Se bem que conheço homens insones. Preocupações talvez nos acordem. Mas me senti nos olhos abertos estalados, na ida ao banheiro, na navegação nas redes, no revirar na cama tentando achar um sono que não vem….
Tive o impulso de te desejar boas vindas ao mundo insone…mas logo me dei conta de que ele não é legal…mas teu comentário me consolou, não estou só..
Sou da turma do Gilberto, mas já tive noites de insônia, em momentos difíceis da vida. É horrível!
Dificilmente alguém já não passou pela experiência de perder o sono… ruim, sem dúvida. Grande abraço Elida
Quem nunca? Eu sempre! Na luta…
É horrível…estou lutando há anos! Reluto em usar medicação…procuro estratégias naturais!
Quando chega as 3 horas dizem que é a hora do demônio.
Socorro…tenho convivido com essa criatura então…prefiro achar que essa é a hora da criatividade…
A insônia tem disso. Quando o sono vai embora, os pensamentos fazem fila. Aparece de tudo: preocupações, lembranças, ideias, coisas para resolver e até aquilo que nem precisava ser lembrado naquele momento.
Bem isso…tudo junto e misturado na cabeça!
Agradeço por conseguir dormir tão bem. Só tenho dificuldades nas vésperas de algum evento. Competições do meu filho são uns desses eventos que me tiram o sono
Este é um bom motivo para perder o sono: excitação por algo legal que está por vir….
Nossa, me vi totalmente na sua narrativa! Muito bom! Passo por isso algumas vezes também! Insônia é horrível quando queremos descansar a mente.
Estamos juntas nessa também! Socorro!
Parece estar falando de mim. Acontece comigo, exatamente igual, várias vezes na semana. Me consola, o fato de perceber , que não estou sozinho nessa batalha. Parabéns pela forma poetica em que abordaste esse tema. Se
Estamos juntos parceiro! Kkk
Descreveu minhas noites! Mas, de uns dias pra cá, o sono está um tanto melhor. Oxalá siga assim! Beijo
Muito bom. Realidade de quase todas as mulheres . Confesso que até pensei que estava falando das minhas noites.
Ouvindo o relato do que passa em nossas mentes em alta madrugada pensei: não seria o caso de fazermos tantas coisas durante o dia e outras tantas importantes acabarmos deixando inconsciente para depois sendo retomadas a mente justo no lugar do sono?
Nós mulheres queremos resolver tudo e ao mesmo tempo como se o fato de estarmos alertas pudesse impedir erros, fracassos, dores…… Será que ao passar dos anos o cérebro pira? Kkkkkk
O fato é que o mundo acaba lá fora e o sono dos maridos é o sono dos justos dessa terra , já o das mulheres parecem cochilos sempre alertas a qualquer chamado.
Cérebro de mulher maravilha ( resolve tudo).
Claro que no meio de tudo isso temos os suplementos, reposição hormonal blá-blá-blá. Mas com tudo isso em dia, ainda assim temos muitas noites resolvendo tudo em nossa mente .
Acredito que a maioria das mulheres pensam ser normal ver o dia raiar.
Será que é?
Apesar de frequente na minha vida, não quero que seja normal. A noite foi feita pra dormir…eu continuo buscando estratégias para driblar hormônios, menopausa…aff!
Cansei de brigar com a insônia, estou tentando fazer a higiene do sono que ouvi falar, vou me arrumando para ir pra cama, desligando as luzes mais brilhantes Deixando a tv bem baixinho, desligando o celular
e deixando tudo organizado para dormir tranquila, mas, às vezes não dá certo e daí que eu tenho que decido tomar um remédio porque quando a urucubacas ( insônia ) chega ela não quer ir embora…