
– Por favor, onde eu posso conseguir um pouco de ética?
– Ética não é uma mercadoria, nem se usa aos quilos. Mas, para quê você quer conseguir “um pouco de ética”?
– Para oferecer a uma pessoa. Outro dia, um amigo seu falou que o que falta nela é ética, que só é assim porque ela não é ética no que faz.
– E o que você acha que é preciso fazer para que uma pessoa seja ética?
– Sei lá, a gente só ouve falar em ética quando alguma coisa dá errado. Se o errado dá certo, vira sucesso, competência, sorte, tino, capacidade e esperteza. Agora, se a coisa é descoberta, pronto, vem uma avalanche de complicações, denúncias e as pessoas afirmam que faltou ética.
– O que você acha que é preciso ser feito para que não “falte” mais a ética nas pessoas?
– Melhorar a educação!
– Tem muita gente formada, com diplomas que não é nada ética.
– Construir a cidadania! É isso: a cidadania faz a pessoa gostar dela mesma e da coletividade.
– Muito bem. A pessoa ética pratica a cidadania, ou seja, sabe que pertence a um lugar e utiliza seus direitos e deveres em prol de sua cidade, estado e nação. O cidadão, por ser ético, dá prova de sua humanidade, dá sentido em pertencer a uma coletividade.
– Mas por que não se fala mais em ética e como melhor utilizá-la?
– Por princípio, ela deveria ser mais praticada do que falada, mas, como parece haver uma falência ética, talvez, seja fundamental discutir melhor o assunto, debater nas escolas, na família, no dia-a-dia das pessoas. Mas, muito mais do que falar, é preciso praticar. É na prática que damos sentido à ética.
– Tem muita gente que não faz a diferença entre o bem e o mal e acaba por prejudicar as pessoas.
– Por isso é que devemos olhar sempre para o nosso interior. Dar sentido à nossa humanidade em relação ao outro.
– E como eu consigo entender isto na prática?
– Se não é bom para mim, não pode ser bom para o outro. Quer ser prático? Seja ético! Quer ser ético? Seja prático!
– Puxa, talvez agora vou poder ajudar aquela pessoa a ser mais ética. Primeiro, ética não se compra; não temos que “ter” ética, mas, sim, “ser” éticos. Segundo, vou bater um papo com ela e, se ela quiser, realmente, mudar seu comportamento terá que ser prática em sua ética, e, principalmente, ética em suas práticas.
– É assim que se fala e é assim que se faz! Educação e cidadania são um vasto campo para praticar a ética na convivência com as pessoas e buscar as melhorias para a coletividade.
Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta
@atrottamg















