Caxambu deu, em 27 de agosto de 2026, um importante passo no enfrentamento à violência contra a mulher com a implantação do Núcleo Mulher, iniciativa interinstitucional criada para fortalecer a rede de proteção e garantir atendimento mais integrado às mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade.
A cerimônia de inauguração reuniu autoridades, representantes das instituições parceiras e membros da comunidade e integrou a programação do agosto Lilás, campanha de conscientização e combate à violência contra a mulher.
Durante o evento, o prefeito ressaltou a importância de oferecer atendimento humanizado, acolhimento psicológico e orientação jurídica. Segundo ele, “o Núcleo deve funcionar como um espaço de segurança e apoio, evitando que mulheres em situação de violência se sintam desamparadas ou invisíveis”.
Projeto nasceu na pandemia e foi retomado em 2026
A proposta do Núcleo Mulher começou a ser construída em 2021, durante a pandemia, período marcado pelo agravamento dos casos de violência doméstica. A professora Daiane Lahmann, do Centro Universitário UninCor, idealizou o projeto a partir de uma ação extensionista, com incentivo do então coordenador do curso de Direito, Pablo Moro.

O projeto foi retomado no início desse ano, novamente com apoio da coordenação do curso de Direito da UninCor. A partir daí, foram articuladas as instituições que hoje integram o Núcleo. Fazem parte da rede o UninCor, Ministério Público, Defensoria Pública de Minas Gerais, Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Secretaria Municipal de Saúde, OAB/MG, por meio das comissões de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e Direito na Escola, e Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres.
Atendimento será articulado entre os órgãos
O Núcleo não funcionará apenas como um ponto isolado de atendimento, mas como uma rede integrada, na qual cada instituição terá atribuições específicas e os casos serão encaminhados de acordo com a necessidade apresentada.
Uma mulher que procure, por exemplo, o Centro de Referência de Assistência Social – CRAS em busca de orientação para uma medida judicial poderá ser encaminhada ao Núcleo de Práticas Jurídicas da UninCor, sem prejuízo de outros encaminhamentos, como ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS que atende pessoas e famílias que sofrem algum tipo de violência ou violação de direitos.

Da mesma forma, diante de uma ocorrência de violência, a Polícia Militar poderá orientar a vítima sobre o acesso à rede. O percurso será acompanhado pelas instituições envolvidas, evitando que o atendimento seja interrompido entre um órgão e outro.
Para isso, já foi assinado um protocolo de intenções. A próxima etapa será a formalização de um convênio que deverá estabelecer detalhadamente ao fluxo de atendimento, as responsabilidades de cada participante e os mecanismos de acompanhamento dos casos.
A proposta é que cada instituição dê continuidade ao atendimento dentro de sua competência e mantenha as informações necessárias com os demais integrantes da rede, até a conclusão do caso.
A meta é reduzir a violência
Entre as expectativas está a construção de um atendimento mais rápido e articulado e o fortalecimento das políticas de prevenção e proteção. A meta definida pelos participantes é ambiciosa: “mitigar a violência contra a mulher em Caxambu, ampliando o acesso à informação, à Justiça, aos serviços de saúde, à assistência social e aos mecanismos de proteção”. Afirma o coordenador do curso de Direito, Pablo Moro.
A implantação do Núcleo Mulher representa, assim, a formalização de um esforço conjunto para transformar diferentes serviços em uma rede capaz de acolher, orientar e acompanhar mulheres que precisem de proteção.
A iniciativa foi inaugurada durante o ‘Agosto Lilás’, cuja programação teve encerramento dia 29 de agosto, no bairro Caxambu Velho.
Antonio Trotta, Jornalista












