Sempre escrevo sobre as minhas experiências com as águas que encontro pelo meu caminho. Ao andar por aí, morando cada dia em um endereço, a bordo da minha casinha sobre rodas, são muitas as águas que contemplo, me aproximo, me banho. Que privilégio termos águas abundantes no nosso país e que assustador sabermos que elas estão sendo contaminadas, pouco preservadas, a ponto de serem inviabilizadas para consumo.
No litoral me delicio com o mar, às vezes azul, às vezes verde, até marrom, como na minha terra. Vejo mar de águas calmas e, logo adiante, ondas imensas, apavorantes. A água do mar se apresenta para mim desde gelada, chocando meu corpo, o frio chegando à minha alma, até águas mornas, que nem refrescam em dias de calor intenso.

Nas minhas moradas, no centro do país, onde o mar está distante, chego aos rios, represas e cachoeiras. Estas últimas dependem de trilhas para encontrá-las. Elas se escondem dentro das matas e surgem lindas, ora caindo de rochas muito altas, ora descendo por rochas pequenas em desnível, até formarem os poços, onde a gente se banha. Para chegar direto aos poços, há caminhos rústicos abertos na mata, como também escadas estruturadas para conduzir os turistas, com segurança. Pelo caminho até as cachoeiras, fico em silêncio, gosto de ouvir os ruídos da floresta. Não fico muito à vontade quando saguis ou quatis querem me receber de tão perto. Parece que se acostumaram com os alimentos de gente, que ficam nas mochilas, e lhes são oferecidos. Eles se aproximam muito, eu apresso o passo, faço movimentos tentando afastá-los. Lugar de bicho é na mata, é onde devem encontrar sua comida. Isso é tão básico para mim, que acho incompreensível que pessoas tentem atrair amimais silvestres com alimento para baterem fotos. Pior ainda se essa situação for protagonizada por pais, ensinando essa prática odiosa aos filhos.
Tenho descoberto também lindas praias em represas e rios. São comuns no centro do país. Os rios e represas estão ali, descobertos, amplos, convidando-nos a ficarmos imersos em suas águas, claras e límpidas, onde é possível enxergar os pés, tendo a água pela cintura. Tenho apreciado mais essas águas do que as do mar. Nelas posso ficar boiando sem medo de ser levada pelas ondas. O único problema são as arraias de rio, que ficam quietas no fundo, prontas para fincar seu ferrão nos pés dos que as pisarem. Confesso que minha tranquilidade na água diminuiu após saber disso. Aprendi que, ao entrar, preciso arrastar os pés no fundo do rio para afastar as arraias. Assim tenho entrado nos rios, lembrando de arrastar os pés. Até agora o ferrão das arraias não encontrou meus calcanhares.














