
“Em momentos felizes, louve a Deus.
Em momentos difíceis, busque a Deus.
Em momentos silenciosos, adore a Deus.
Em momentos dolorosos, confie em Deus.
Em cada momento, agradeça a Deus.”
Minha professora de Ensino Religioso morreu. Como ensinava religião, certamente religou-se diretamente a Deus. Não era beata, mas para mim, ela mereceria uma beatificação. Coroá-la eu gostaria, mas sei que ela jamais me permitiria tal ousadia. Afinal, sua pequena e singela missão deveria ser reconhecida apenas pelo Senhor dos senhores, por quem demonstrara uma admirável paixão.
Minha professora de religião morreu; eu sinto sua falta e minha alma canta os seus feitos, pois essa mulher em forma de anjo ou este anjo em forma de professora mudou a história da minha vida. Ela sabia disto, ela rezou por isto e acreditou com toda fé. E ela me ajudou a tornar-me mais humilde, mais humano.
Minha professora era Maria Beatriz Xavier Faria e Deus a chamou para perto Dele para viver a eternidade. Ela se foi e deixou saudades. E esse seu ex-aluno, quando adolescente, e que hoje já é um homem, sente a dor da perda de sua professorinha que lhe ensinou a fé que viveu e pregou.
Foi Dona Beatriz quem me apresentou um Deus que não era meu, mas pertencia aos mais necessitados, aos descrentes, aos sem futuro e aos não presentes na fé. Sem a professora Beatriz, minha vida poderia ser outra. Ela se fez instrumento nas mãos de Deus para chegar até o coração dos aflitos, de adolescentes em conflitos, sem direção, sem devoção.
Sou grato a ela, pois sem Dona Beatriz não saberia, talvez, agradecer a tantas graças. Conselheira e amiga, garantiu-me que a fé não costuma falhar, que perdão foi feito para recomeçar e que amor era o outro nome de Deus. Sua convicção me convencia, sua certeza não me deixou dúvidas. Tendo uma experiência com um Deus que liberta e salva, aproximei-me do Senhor da Vida que ela tanto falava, tanto amava e em quem tanto confiava.
O ensino religioso da minha professora era a fé. Eu sabia de suas qualidades de mãe e de avó, mas quero ressaltar que, pelo testemunho da fé, foi mestra no que fez e no que plantou em todo tipo de solo. Regava e esperava com a esperança e a confiança de quem simplesmente acredita. Sua morte me entristeceu muito, mas sua vida em Deus me dá a grata satisfação de saber que ela volta para o lugar de onde veio. Se volta em forma de anjo ou de professora eu não sei. O que importa? O que ensinou e viveu aqui vai poder viver em plenitude, no céu, com Deus.
Vai em paz professora, pois o seu ensino religioso foi divinamente profundo.
Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta
















