
Não mais apenas valorizar, mas dar a si mesmo o merecido valor. Não mais ouvir e acatar a decisão, mas decidir. Nem ser a última palavra, mas ter a sua própria opinião. Poder decidir e decidir o poder. São elas, mulheres que constróem e conquistam o seu próprio destino, a sua própria auto-estima, descobrindo e dando vazão aos seus sentimentos. São mulheres e são empreendedoras em seu tempo, em sua história, diante dos desafios. Mulheres que vão à luta, seja no lar, no trabalho, no discurso, no silêncio, na escola, na prática. Mulheres famosas ou anônimas, donas do seu próprio destino.
Conheço mulheres que não se abalaram diante da escolha ou das circunstâncias, frente aos problemas, às dificuldades, à primeira tempestade. Enfrentaram a vida como a vida deve ser enfrentada, com coragem e determinação. Os desafios as fortaleceram e as fizeram ainda mais capazes.
Conheço empreendedoras do lar. Dentro de quatro paredes são verdadeiras administradoras dos afazeres da casa, dos cuidados humanos. Economistas, sabem poupar e preservar a renda da família, na hora da compra, do supermercado. Verdadeiras malabaristas, tiram “leite das pedras” com o pouco que recebem. São mulheres que somam na hora de dividir as despesas domésticas e são capazes de fazer a diferença na multiplicação dos alimentos.
Conheço empreendedoras no comércio. Abrem as portas de suas lojas e vendem determinadas, os seus produtos e serviços. Sustentam família, empregam pessoas e ajudam no giro do mercado financeiro com suas habilidades. Renunciam a tantos prazeres em troca de uma vida disciplinada comercialmente. São pontuais. Seguem uma rotina diária e, assim, conquistam espaço e respeito diante da sociedade. Vivem “em prisões de portas abertas”, porque sabem que necessitam ganhar o pão de cada dia e vencer na vida. Uma vez no mercado, enfrentam desafios e abrem, além das portas da loja, oportunidades e ganhos em sua vida e na vida de outras pessoas.
Conheço empreendedoras na educação. Além dos seus, ensinam para muitos a arte do aprendizado. Mais do que passar informações, formam cidadãos para o mundo, para não passar a vida em branco. Na ponta de um giz, traçam o destino de muitos. Sobre a lousa, descrevem sonhos e devaneios, a realidade em forma de números e letras. Muitas lutam por uma educação verdadeiramente libertadora – das amarras, dos pré-conceitos e da manipulação. São mulheres decididas a uma educação em que o conhecimento é partilhado e entregue às crianças.
Conheço empreendedoras na saúde. São mulheres entregues ao sopro de vida. Capazes de aliviar sofrimentos e estancar a dor. Mulheres que desafiam o limite da vida e encontram na profissão, mais do que um ganho, uma realização.
Conheço outras empreendedoras de tantas façanhas. Todas elas, mulheres donas do seu próprio destino. Mulheres que sabem que o seu dia tem 24 horas e que correspondem aos trezentos e sessenta e cinco dias no ano.
Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta
@atrottamg













