Exempplar: A AFESMIL nasceu com a proposta de preservar e valorizar a produção literária feminina do Sul de Minas. O que motivou a criação da Academia e qual é, hoje, a importância de existir uma instituição dedicada especificamente à voz e à memória das escritoras sul-mineiras?
Dalila Lasmar: A grande motivação para a criação da Afesmil veio da constatação da ausência das letras de autoria feminina sul-mineira nos acervos das bibliotecas, estantes das livrarias, currículos nas escolas, universidades, programação dos eventos literários, no rol de leitura dos leitores da região sul-mineira. A partir de então, a autoria feminina vem ganhando espaço, reconhecimento, se faz presente e apreciada.

A entrevistada Dalila Lasmar, vice-presidente da AFESMIL
Exempplar: A Academia está prestes a celebrar o seu quinto aniversário. Que balanço você faz desses cinco anos de atuação e quais são os principais desafios e projetos que a AFESMIL pretende enfrentar daqui para frente?
Dalila Lasmar: O grande desafio é consolidar o trabalho já desenvolvido e avançarmos. O que pretendemos por meio dos nossos projetos, como são os casos da realização de Dias dedicados às Patronas, as Semanas Temáticas, os programas estruturadores como o Afesmil vai à Escola, Afesmil vai à Universidade, Afesmil presente na Comunidade, além dos projetos ligados ao Turismo Literário, um tema que muito nos interessa.

Semana das Folcloristas da AFESMIL
Exempplar: AFESMIL realizará a Semana das Folcloristas. Por que a Academia decidiu dedicar uma programação especial às folcloristas e qual é a importância de preservar e divulgar os saberes, tradições e manifestações culturais do Sul de Minas?
Dalila Lasmar: A Afesmil decidiu criar a Semana das Folcloristas da Afesmil para realçar o repertório das Patronas que, com sua sensibilidade, se dedicaram a coletar, preservar, pesquisar e comunicar a riqueza da oralidade da nossa região sul-mineira e, em alguns casos, mais além, também mineira e brasileira.
Estas mulheres que perceberam o quanto a oralidade é forte e diversa na nossa região sul-mineira:
América Krauss (1865-1955);
Alexina Magalhães Pinto (1870-1921);
Maria Cecília de Jesus (1905-1984);
Oneyda Alvarenga (1911-1984);
Ruth Guimarães (1920-2014);
Nilza Botelho Megale (1920-2010);
Mary Apocalypse (1922-1988).
Entendemos que a importância de se preservar a oralidade reside no fato que ela é de extrema relevância na formação da nossa identidade.

Presidente da AFESMIL, Bete Brockelmann
Exempplar O que o público poderá encontrar na Semana das Folcloristas e o que você gostaria que as pessoas levassem consigo ao final dessa programação?
Dalila Lasmar: O que o público mais encontrará na Semana dos Folcloristas serão as múltiplas vozes dos diversos Sul das muitas Minas que são Gerais. As inúmeras expressões vocais: tanto cantadas, como faladas, ou recitadas, entoadas, suspiradas, pranteadas, sussurradas, dentre outras. Tudo isso, a partir dos inúmeros repertórios representados pelos mitos, lendas, contos, cantos, cantigas, acalantos, xácaras, endechas, fábulas, parlendas, lenga-lengas, trava-línguas, provérbios, ditos populares, adivinhações, dentre outras inúmeras manifestações orais.
Por fim, gostaríamos que todos os sul-mineiros passassem a cultivar ouvidos mais atentos à nossa riqueza oral sul-mineira.
*Antonio Trotta, jornalista, escritor e poeta
@atrottamg














E viva as mulheres na literatura! Nas artes!
Parabéns ao trabalho de vocês. Mulheres na poesia, mulheres maravilhosas.
Poetisas na construção de um novo mundo acadêmico.
Tive a honra de conhecer Dalila Lasmar no evento literário em Borda da Mata.
Ela falou do evento com tanta ênfase que nos encantou.
Parabéns, pelo trabalho tão significante.
Grande abraço.