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Home Destaques

AQUELA MULHER

DE MARIA ÉLIDA MACHADO

Domingos Antunes Guimarães por Domingos Antunes Guimarães
1 de março de 2026
em Destaques, Vida Viajante
26
AQUELA MULHER

A estrada passa devagar pela minha janela. Estamos numa época de estiagem, o campo está seco, a pastagem escassa, algum gado magro aqui e ali. Ao longe, dispersas, pequenas casas torrando ao sol. A estrada é estreita, sem acostamento, mas a pavimentação está conservada, o que faz a paisagem passar plana, constante, sem solavancos. Minha casinha sobre rodas desliza suavemente fazendo com que meus pensamentos também deslizem e cheguem, calmamente, onde encontro aquela mulher. Viajo no tempo. Ela está lá, na sua pequena casa, fincada em algum rincão no meio do campo com seus sete filhos, todos homens. O marido, trabalhando nas fazendas ao redor, fica longos períodos fora de casa. Quando volta das empreitadas, traz o dinheiro suficiente para fazer compras na cidade, que é longe, transporte só de carreta de bois. Em cada retorno, há um tempo para conversar, o chefe da família recebe as demandas dela com os filhos, provavelmente ouve queixas daquela mulher sozinha. É hora de dividir com ele a organização de tudo, o único suporte que tem. É hora também do amor ou de algo chamado assim. Talvez um sexo sem graça, onde ele se alivia e ela cumpre seu compromisso de esposa, abrindo as pernas, deixando-se penetrar, e só. A paisagem passando e eu viajando em meus pensamentos. Acho que era assim a vida amorosa daquela mulher. Ela o tinha como seu dono, seu patrão, seu chefe. Ele ia e voltava. Uma vez foi e não voltou.

Aquela mulher ficou só, com seus sete filhos pequenos, sem chão, sem dono, sem rumo. Ele deve ter encontrado outros encantos lá onde estava, diferente dela, cujos encantos era somente sobreviver e criar filhos, ou seja, uma vida quase sem encantos. Penso como aquela mulher teria suportado esse momento. A estrada leve, o ar-condicionado da minha casinha andante me dá o conforto necessário para pensar longe, para viajar para a vida daquela mulher. Percebo uma lacuna nas minhas lembranças, não sei como se arranjou logo após ser abandonada. Agora a vejo em crises de agressividade, não fala coisa com coisa, ela grita e xinga, precisa ser contida pelos filhos. Talvez queira expulsar os seus demônios, as dificuldades da sua vida. Talvez esteja querendo agredir, machucar o mundo que sempre lhe fora tão cruel, está ocupada do seu acerto com a vida, não tem mais condições de cuidar os seus sete filhos sozinha. Já estão crescidos, ela já os criou no meio do nada, dando-lhes para comer o que plantou, criando as galinhas que os alimentaram com os seus ovos e precisaram ser sacrificadas em dias de festa, quando o prato era uma galinhada.  De sobremesa, doces em calda que ela fazia com as frutas do seu pomar, os meninos brigavam pelo doce de figo, era o melhor. A mulher passou a incomodar os poucos parentes que se aproximaram, certamente acionados pelos filhos mais velhos como pedido de socorro. A única alternativa, na época, era interná-la como louca, em um hospício da capital. Depósito de loucos. Choques elétricos parece que era a única terapia que fazia. E assim foi, idas e vindas, internações repetidas, sequelas neurológicas aparecendo, idade avançando. Os filhos espalhados pelas casas de parentes, já estavam criados, dali seguiram construindo suas vidas, cada um do seu jeito. Geraram e cuidaram das suas famílias, bons homens, rudes e sensíveis ao mesmo tempo, muito amigos uns dos outros. Dividiram o cuidado com a mãe no fim da sua vida. Em algum momento voltaram ao convívio com o pai, o cuidaram também na velhice. Pessoas amorosas, um amor construído no meio do nada por aquela mulher sozinha, abandonada, a louca!

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Comentados 26

  1. GILBERTO JOAQUIM PAIXAO disse:
    1 mês atrás

    Uma bela reflexão de nossa realidade interiorana.

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Lembranças inspiradoras!

      Responder
  2. Elenara Leitão disse:
    1 mês atrás

    Texto primoroso e cheio de sentimento. E verdades. Viajei nas tuas palavras que retratam a história de tantas mulheres!

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Fico honrada com teu comentário! Obrigada! A história se repete,infelizmente.

      Responder
  3. MARA NUBIA SILVA disse:
    1 mês atrás

    Chorei.
    Lindo texto!

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Um dos objetivos da escrita…tocar as pessoas! Obrigada.

      Responder
  4. Vera Luci Machado Prates da Silva disse:
    1 mês atrás

    Passou um filme, na minha cabeça! Aquela mulher vive nas minhas lembranças, mas infelizmente ainda vive neste mundo a fora. E continua-se a dizer “aquela louca”.

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Mulheres sofridas, as loucas!
      Que bom que a crônica te trouxe lembranças. Obrigada.

      Responder
  5. ADELI SELL disse:
    1 mês atrás

    b a i t a t e x t o

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      O B R I G A D A Q U E R I D O

      Responder
  6. Luciano Machado disse:
    1 mês atrás

    Não sei como um ser humano pode tomar uma decisão dessas, no caso do pai.
    E como sempre mulher aguenta toda precão!
    Talvez só num manicômio mesmo… coitada!

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Coitadas todas as mulheres nessa situação!

      Responder
  7. GRACE APARECIDA GOMES disse:
    1 mês atrás

    Excelente olhar sobre a realidade de nosso interior perdido…

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Obrigada! Infelizmente ainda há muitas “loucas” por aí…

      Responder
  8. Ana Claudia Moreira de Moraes disse:
    1 mês atrás

    Lindo texto!

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Obrigada ❣️

      Responder
  9. Alexandre Gamba Menezes disse:
    1 mês atrás

    Élida esse texto me lembra varias pessoas que conheci lá no interior…
    acredito que a família é um esteio para saúde mental.
    abraços

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Situação comum no meio rural, infelizmente. Obrigada pelo comentário.

      Responder
  10. zaira cantarelli disse:
    1 mês atrás

    Sei q existe na zona rural , mulheres com vida calejada, vivendo abaixo da linha de pobreza, às x maternidade solo, trabalho intenso e invisível, mulheres fragilizadas… O campo precisa de programas q fortaleçam estas mulheres.

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Verdade! Necessidade de políticas públicas!

      Responder
  11. Laura Lisboa de Magalhães Cantuária disse:
    1 mês atrás

    A realidade seca de uma vida de provações. O retrato da mulher resiliente, persistente e forte. Mulher! Apenas uma mulher que consegue, apesar de tudo, vencer até o fim. Feliz dia das mulheres pra nós!

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Feliz dia! Obrigada por estar aqui no Exempplar!

      Responder
  12. Roselia disse:
    1 mês atrás

    Linda crônica, carregada da vida de uma mulher que não é ouvida, nem vista como pessoa, apenas está ali, mas não existe, sobrevive, não é ninguém…triste realidade…será que ainda existe ? Parabéns Maria Elida por trazê-la à vida!

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      1 mês atrás

      Infelizmente acho que existem muitas dessas “,loucas” por aí…

      Responder
  13. JOSÉ CLAUDIO DOS SANTOS ARAUJO disse:
    1 mês atrás

    Muita sensibilidade nessa escrita reflexiva e infelizmente real…independente do.lugar…a luta das mulheres é enorme…e ainda tem.que “enfrentar o feminicídio”…de uns” animais em forma de gente”!

    Responder
    • MARIA ELIDA MACHADO disse:
      4 semanas atrás

      É verdade! É triste!

      Responder

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