Em todo lugar por onde andamos, encontramos tipos característicos. Nas cidades turísticas eles são conhecidos, atraem olhares atentos para as suas performances e moedas para as suas caixinhas. São artistas de rua cuja arte é muito variada. São malabaristas, mágicos, cantores, músicos, dançarinos, atores e atrizes mambembes. Há os caricaturistas, pintores produzindo seus quadros nas praças e parques. Todos me chamam a atenção, paro para olhar. Nas cidades com pouco ou nenhum apelo turístico há as figuras típicas locais. Há o velho pipoqueiro, conhecido por todos, que brinca com as crianças, chama todos pelo nome; há o papagaio, que mora em um poleiro na banca de pastel, atraindo os olhares dos seus clientes conhecidos, repetindo as mesmas palavras que, às vezes, são muito engraçadas; há também o vendedor de bugigangas vestido de super-herói e a velha baiana da esquina, que frita seu acarajé no óleo rançoso e canta músicas de sua autoria. É um universo sem fim que se mostra à janela da minha casinha rodante, andando pra lá e pra cá.
Em uma morada em Canoa Quebrada, no Ceará, nos deparamos com uma figura muito típica de lá: a mulher da cobra. Segundo ela, é criadora autorizada de jiboias em cativeiro, na sua casa, onde teria várias. Uma delas já está acostumada a se apresentar aos turistas, de dia na praia e à noite, nos bares da rua coberta. Andava ela com aquele enorme animal, para mim assustador, enrolado no pescoço, fazendo pose para fotos e recolhendo contribuições dos turistas. Rose era o nome da mulher, lembro bem. O nome da cobra não lembro, mas tinha um nome por certo, visto que é uma cobra pet. Rose estimulava os curiosos a tocarem na cobra, fazerem pose com ela para fotos. Alguns mais ousados pegavam a tal cobra imensa e logo demonstravam ter intimidade com ela. A jiboia parecia tranquila no seu papel de artista de rua. Era acariciada e até beijada por Rose. Eu não fiquei nem um pouco à vontade naquela cena, por medo da cobra pet e porque não gosto de animais fora do seu habitat. Penso sempre que são prisioneiros, adestrados, têm alterados todos os seus hábitos, a sua natureza. Naquele contexto, creio que somente eu estava desconfortável, ao meu redor todos estavam extasiados. Acho que a jiboia da Rose é infeliz, porém, resignada, talvez como muitos de nós!
















Interessante foi este encontro com a mulher da cobra, o animal aparentemente domesticado cumpria seu papel na apresentação, se exibindo junto com sua “dona”.
Eu não fiquei a vontade! Com medo e com pena da cobra! Coitada…domesticada!
Fora do habitat já é inadequado e se ela é ‘pet’ o que já é um absurdo, fica pior. Faz algum tempo li de um biólogo especialista em serpentes/cobras sobre a questão da ‘adoção’, ‘domesticação’ e que a cobra, num dado nome fica reta, medindo-se junto ao ‘tutor’ no caso. Isso é recurso para saber se tem condições de se enrolar e fazer desse ‘tutor’ um bom prato a degustar. É animal selvagem (silvestre) e sempre será.
Só aumenta meu desconforto! Obrigada pelas informações.
Retificando: num dado momento fica reta, medindo-se
Cruzes!
É assustador!
Também acho! Ui…
Só em ler sobre esta cobra-Pet , já me passa um arrepio! Em imaginar a cena, fico ansiosa! Imagine estar perto , nesta situação…. Mais uma crônica que nos desperta os sentidos ao lê-la, devido a riqueza de detalhes e perfeita descrição. Parabéns!!! Que esta mulher não apareça por aqui!!!!
Que bom que consegui te transmitir meu arrepio! Deixa a mulher por lá com sua cobra infeliz!
Essa crônica me fez pensar justamente nessa questão dos animais fora do seu habitat. Acho sempre um pouco triste vê-los transformados em atração, mesmo quando parecem tranquilos e bem cuidados. Ao mesmo tempo, entendo que a Rose provavelmente tenha uma relação de carinho com a cobra e que, para ela, aquilo faça parte da vida. Acho que teria admirado a cena, mas de uma distância bem segura.
Distância segura, foi o que fiz! Fiquei observando a cena e viajando nos meus pensamentos…
Cada viagem, um flash. Cada lugar, uma aventura. Ser viajante possibilita essa multi diversificação. O que será que vem depois da cobra. Rsrsrs.
Assombração? ET? Santa do pau oco? Temos! É só acompanhar esta coluna…kkkk
É é no começo eu ficaria esperta, depois ao ver outros tocarem nela ,eu tbm ía querer tirar minha lasquinha.
Gosto de encarar as situações com naturalidade,e até para eu poder dizer: Eu toquei em uma cobra grande
Acho que a maioria das pessoas é como tu…querem ter esta experiência, tocar naquela cobra enorme! Ui, eu não…
Bicho bom é bicho livre! Mas a depender das circunstâncias que foi parar sob a custódia de Rose, é prática regular de viveiros que resgatam animais de incêndios, tráfico, machucados e que não podem voltar pra seu hábitat natural, pois chegaram filhotes ainda à esses cuidados. Enfim, é curioso e requer destreza. Mas jibóias são classificadas como serpentes das mais amigáveis e adestráveis mesmo.
A jiboia da Rose parecia estar confortável entre os turistas…quem não estava era eu…
Cobra é um animal selvagem. O lugar dela é na natureza. Livre! Nunca vai ser como um cachorro ou gato. Além de ser perigoso, acho um pecado com o bicho. Eu morro de medo de cobra.
Idem eu! Fico aflita em ver animais selvagens em cativeiro..e mais ainda quando adestrados!
Obrigada por estar conosco aqui no Exempplar.
Também não sou muito desse mundo PET …com todos os adestramentos…carinhos…confortabilidade…e gastos que seriam bem melhor aplicados(a meu ver), com moradores de ruas…crianças desassistidas e idosos em ILP com mais recursos, seja de fisioterapia, musicoterapia, etc; entre outras atividades que melhorariam a qualidade de vida…dos e das citadas…
Cada coisa no seu lugar…bicho silvestre/selvagem na mata. Se precisarem proteção, instituições…para mim, simples assim.
Neste mundo vemos um pouco de tudo, tratar como como pet é no mínimo curioso, para não dizer perigoso ou inadequado.
Para mim assustador. Há de tudo mesmo…
Eu adoro animais domesticado s
S..elvagem mas de longe né????
Kkkkkk
Sempre longe, mesmo dos “domesticados”…ui
Tenho uma casa no meio rural. A presença da cobra sempre desperta muito cuidado, de imediato nunca se sabe se ela é peçonhenta ou não, todo atenção para não ser surpreendido é pouco… Tenho visto cobras domesticadas, mas nunca me senti a vontade com elas. Prefiro que elas fiquem distantes e escondidas para não atacar ninguém. Quando criança, levei muito susto. E passei a me manter distante delas depois que uma vizinha nossa foi foi picada por uma serpenta jararaca que lançou o seu veneno no ferimento, devido a falta de assistência a Senhora faleceu no dia seguinte, deixando nossa colega de aula sem a mão, foi muito triste para toda a comunidade que acompahou e vivenciou este cenário com uma morte não anunciada.
Obrigada pelo alerta do teu comentário! Acho também sempre muito perigoso!
Me arrepio só de pensar numa cobra enrolada no meu corpo. Penso que deveria estar livre na natureza.
Penso o mesmo! Se o cativeiro for uma necessidade, que seja em uma instituição! Parece que a jiboia da Rose se resignou…..