
Voltei novamente àquela casa. Parei-me em frente e observei-a por um instante. Meu olhar correu atentamente de um lado ao outro. Realmente, era a mesma casa e guardava as características de sempre. Nem mesmo o tempo foi capaz de desfigurá-la.
Ninguém mais morava naquela casa. Infelizmente, ela estava vazia. Cheia de móveis, guardada no tempo, no espaço e na lembrança. Permanecia praticamente intocável, depois da partida definitiva de sua última moradora.
Era a casa de meus avós maternos. Com a minha avó, a casa ganhava vida e a vida vivia lá. Minha avó sabia aconchegar as pessoas, a família e quem mais por lá passasse.
Hoje, o silêncio toma conta da casa. O vazio é o seu maior guardião. A saudade, uma sentinela que nos espera na entrada e nos acompanha incomodamente por todos os cômodos. O presente é só ausência e lembrança. A solidão que senti não era pelo fato de estar sozinho, naquele momento, mas pelo fato de me sentir só sem aqueles que sempre se faziam presentes, em um lugar que esteve repleto de gente.
Recordações preencheram a minha memória no vazio daquela casa.
Cada passo meu em direção ao interior da casa parecia me levar para dentro de mim mesmo. Ao penetrar nos cômodos da casa, as minhas lembranças escancararam portas e me remeteram a momentos e situações diversas. Os olhos sentiram o que o coração não queria enxergar. O hoje e o ontem se misturaram.
Por alguns instantes, cheguei a acreditar que o vazio é que era um sonho. Fui interrompido pelo silêncio que me aguardava pelo lado de fora de minhas lembranças. Tudo voltara a ficar vazio de gente; apenas os móveis permaneceram imóveis e insensíveis à minha presença.
Minhas mãos tocaram alguns objetos. No contato, senti os fatos, o calor de tantas vidas que por ali passaram e deixaram lembranças, marcas profundas de dias inesquecíveis registrados pela emoção.
Entrei mudo naquela casa vazia e saí calado pelo vazio que aquela casa me transmitiu. O que era vida, agora, é passado. E o que era passado foi a minha vida.
Deixei a casa, mas o seu passado ainda vive em mim.
Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta
@atrottamg











