
Uma empresa existe para servir a sociedade e não se servir da sociedade. Sua existência deveria estar intrinsecamente relacionada com a qualidade de vida que ela gera aos cidadãos que utilizam de seus produtos ou serviços. Ao transformar “obras-primas” da natureza, criam-se produtos que, mesmo artificialmente, deveriam contribuir para a construção de uma vida melhor.
A medicina, a ciência biológica, por exemplo, tem dado verdadeiros saltos na tentativa de prolongar a vida sobre a Terra. Serviços e produtos são descobertos e disponibilizados, no mercado, com o objetivo de melhorar vidas humanas.
Se sua empresa não tem a vocação de colaborar com a melhoria (e, se possível, com a maioria da humanidade), ela precisa, humanamente, repensar a sua filosofia de vida. Sim. Afinal, empresas são formadas por seres humanos e, portanto, portadoras de uma consciência.
Se sua empresa tem consciência, sua existência tem um profundo sentido, pois ela consegue estabelecer julgamentos morais dos atos realizados. Assim, ao pensar como empresa, ela deveria, também, agir baseada em sua filosofia.
Qual é a filosofia de sua empresa? Sim, porque sem ela restam apenas números e cifras. E, se for essa a cultura e a filosofia de sua empresa, ela se torna um péssimo negócio para o seu cliente e, certamente, um desumanizado ambiente de trabalho para os seus funcionários.
Ao existir, uma empresa deve ter uma filosofia, uma razão, melhor que o lucro, para viver. Do contrário, qualquer atividade geradora de renda seria admissível, até mesmo matar e roubar. A humanidade não foi criada para esse fim; e as empresas, nem pensar; pelo menos, aquelas que tem uma filosofia de vida.
Se sua empresa existe e persegue uma filosofia, ela, com certeza, tem um sonho a realizar. Qual é o sonho de sua empresa? A satisfação. A felicidade. A realização. Gerar qualidade de vida nos seres humanos direta ou indiretamente. O lucro é conseqüência. Lucro é consciência, pela qual o homem pode conhecer e julgar a sua própria realidade, a sua própria realização.
Empresas que não possuem filosofia consistente são improdutivas. Talvez, não do pondo de vista do que produz, mas do que não gera como vida e felicidade para a sociedade. Há produtos que foram feitos para serem vendidos, não para serem comprados. “Tudo é permitido, mas nem tudo convém”, sobretudo quando se trata de estar a serviço de vidas humanas.
Ao perceber, inserir ou resgatar a filosofia nas empresas, ampliam-se, imensuravelmente, os valores humanos e o sentido da produção. A pedra filosofal das empresas não é, apenas, “transformar metais em ouro”, mas, justamente, filosofar na compreensão da realidade, no sentido de aprender a viver a felicidade humana na sua inteireza.
Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta
@atrottamg













