Sempre me perguntam qual a cidade mais interessante, o lugar mais bonito em que morei nesses últimos anos, ao andar pelas estradas a bordo de um Motorhome. Tenho dificuldade em responder. Costumo dizer que sempre, em qualquer caminho ou destino, há pessoas interessantes para conhecer e lugares bonitos a contemplar. Não consigo escolher entre uma ou outra morada, mas faço o exercício de identificar o que primeiro me vem à memória, ao responder a essas indagações.
Com relação a paisagens, os lençóis maranhenses são o que de mais intrigante contemplei nas minhas andanças até aqui. Não sei se é o lugar mais bonito, não penso sobre isso, mas, certamente, é para mim uma imagem das mais marcantes. Depois de viajarmos por todo o litoral, fazermos a curva do território brasileiro, chegamos até o Maranhão, onde moramos por uns dias em Santo Amaro do Maranhão, a beira do Rio Alegre, que banha a cidade. Este é um dos municípios que dá acesso ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Na ponte, próxima de nós, na entrada da cidade, passavam constantemente, caminhonetes 4×4, carregando os turistas para conhecerem os brancos lençóis. Foi o que fizemos também, aliás, passeios de caminhonetes, acompanhados por guias credenciados, é a única forma de entrar no parque. Os motoristas, super habilidosos, dirigem suas caminhonetes carregando as pessoas acomodadas em bancos externos, na carroceria, tipo aquelas de safari na África. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é, no mínimo, intrigante, repito este adjetivo e me ocorrem outros: esplêndido, maravilhoso, inacreditável. Por lá, a gente circula por montanhas brancas que vão até o horizonte, a vista não alcança todo o cenário. Areia fininha, tudo branco, onde surgem, de vez em quando, lagoas de um azul desconcertante. Só é possível a contemplação por lá, pois não há nenhuma infraestrutura, para o bem da preservação ambiental. Nenhum quiosque, nenhum vendedor, nenhum banheiro, nenhuma lixeira. O que for absolutamente necessário no passeio, como água por exemplo, é carregado nas caminhonetes. É possível caminhar até cansar, para qualquer lado, e só avistar areia e lagoa. O sol é escaldante sobre nossa cabeça, mas a areia não queima os pés, o que, para mim, é incompreensível. Os pés afundam até as canelas na areia fofa, fina e morna, a sensação é gostosa. O cansaço do caminhar é aplacado pela contemplação da imensidão branca e pelo mergulho nas águas transparentes e de um azul inacreditável das lagoas.
No final do dia, somos levados ao topo de uma montanha para apreciar o pôr do sol. Tudo fica dourado quando o sol encontra o horizonte. É mágico, é indescritível!
Maria Élida Machado.












