Foto acima: O peregrino em sua trajetória rumo ao seu objetivo.
Uma consulta médica foi o ponto de partida para uma mudança que levaria Beneditto B. muito além da prática de uma atividade física. Ao perceber a necessidade de incorporar o esporte à rotina, encontrou na bicicleta não apenas uma maneira de cuidar da saúde, mas também uma possibilidade de conhecer novos caminhos, peregrinar e extrair lições da própria vida.
A proposta ganhou forma com o projeto de realizar uma cicloviagem pelas paróquias da Província Eclesiástica de Pouso Alegre, durante os períodos da Quaresma de 2022, 2023 e 2025. O percurso começou em Poços de Caldas e terminou em Pouso Alegre.

Dom José Magela, Arcebispo de arquidiocese de Pouso Alegre, recebendo das mãos do autor o livro O Ciclista Peregrino.
Mais do que uma viagem de bicicleta, a experiência se tornou uma jornada de interiorização. Ao todo, foram 4.201 quilômetros pedalados, 155 cidades percorridas e 226 paróquias visitadas, abrangendo as dioceses de Guaxupé, Campanha e Pouso Alegre.
Para Beneditto, cada quilômetro representava também uma oportunidade de reflexão. Longe da velocidade e da rotina cotidiana, o caminho passou a ser espaço para pensar, observar e rever conceitos. “Nas pedaladas pude refletir sobre a vida e mudei meu comportamento e a maneira de enxergar a realidade”, relata o escritor.

O peregrino chega à Três Corações.
A frase sintetiza o espírito da peregrinação. O ciclista não estava simplesmente interessado em chegar ao destino. O caminho era parte essencial da experiência. Nesse sentido, a jornada de Beneditto aproxima-se da tradição do peregrino, que se diferencia tanto do andarilho quanto do turista. Enquanto o andarilho pode seguir sem um destino determinado e o turista costuma priorizar o conforto e a chegada, o peregrino tem um propósito: seu destino está associado à fé, à devoção, ao cumprimento de uma promessa ou à busca por uma transformação interior.
No caso de Beneditto, a bicicleta tornou-se o instrumento de uma experiência que reuniu movimento, espiritualidade, contemplação e autoconhecimento. A experiência vivida nas estradas ganhou posteriormente uma nova dimensão: transformou-se em literatura.
No livro O Ciclista Peregrino, Beneditto B. registra a trajetória de sua peregrinação e as reflexões que nasceram ao longo do caminho. A estrutura da obra guarda uma relação direta com a experiência: os 66 capítulos representam os 66 dias pedalados. Cada capítulo, portanto, carrega a simbologia de uma etapa da viagem. São páginas construídas a partir de uma experiência concreta, na qual estrada, bicicleta, paróquias, encontros e pensamentos se misturaram.
Lançado em maio de 2026, em Poços de Caldas, durante o Flipoços – Festival Literário Internacional de Poços de Caldas, O Ciclista Peregrino começou uma segunda jornada: a aproximação com os leitores.
Depois do lançamento, Beneditto passou por oito feiras literárias, levando sua obra a diferentes públicos. A recepção foi tão positiva que as vendas se esgotaram na FliPouso, em Pouso Alegre. Para o autor, cada feira passou a representar uma espécie de nova pedalada. Se na primeira jornada os quilômetros eram vencidos sobre a bicicleta, na segunda o percurso acontecia por meio dos encontros com os leitores. O interesse do público, segundo Beneditto, transformou-se em combustível para continuar avançando.
Uma peregrinação que continua nos livros
Há uma simbologia especial no fato de a viagem ter começado em Poços de Caldas e terminado em Pouso Alegre. O percurso físico chegou ao fim, mas a experiência continuou a produzir novos caminhos. A bicicleta, inicialmente escolhida como instrumento para melhorar a saúde, acabou levando Beneditto a uma experiência muito mais ampla. Nas estradas, encontrou paróquias, cidades, pessoas e paisagens, mas também encontrou tempo para olhar para dentro de si.
E as palavras, por sua vez, voltaram a colocá-lo na estrada, agora diante de leitores e de novos públicos. Assim, O Ciclista Peregrino nasce de uma jornada que pode ser medida em quilômetros, cidades, paróquias e dias. Mas sua dimensão mais significativa talvez não esteja nos números. Está naquilo que acontece entre o ponto de partida e o destino. Porque, para o peregrino, chegar é apenas uma parte da viagem. O verdadeiro percurso acontece enquanto se caminha — ou, neste caso, enquanto se pedala.
*Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta
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Obrigado pelas palavras. Transcreveu muito bem essa minha peregrinação.
Livro maravilhoso, me emocionei a cada página lida, foi uma lição de vida pra mim também, pois foi também uma evangelização, que ao ler, faz a gente refletir a vida.
Olá meu amigo!!! Saudações Bene!!! Foi um prazer te conhecer!! Te aguardo aqui na Flissp ano que vem!!! Uauzi, Uauzi, Uauzi…
Com astúcia e coragem de quem traça uma aventura e devoção. Colocar em um livro tudo que se passou foi mais do que pedalar, porque r é físico e transpor a aventura é mental. Parabéns Noel Benedito.
Excelente trabalho, uma bela leitura … nos prende , já li o livro 5 vezes !!!! De tão bom !!! Está de parabéns, cada detalhe descrito nessa bela trajetória pelas paróquias….. muito bem ilustrado !!!
Leitura leve. Transcreveu muito bem essa experiência de interiorização
Outras jornadas tb passadas p o papel poderão criar mais colorido às nossas leituras e enriquecer nosso conhecimento
Coragem, fé e introspecção definem os dias em que meu amigo Beneditto percorreu estradas, visitou igrejas, desbravando novos cenários, mais tbm o seu próprio interior. Essa peregrinação marcante ganhou vida nas páginas de um livro, transformando pedaladas e conhecimentos em uma leitura transformadora. Parabéns meu amigo. Luiz Américo e Rose Mary.