Caetano Veloso cantou São Paulo, lindamente, quando deixou a Bahia para mergulhar no turbilhão cultural da cidade. Cantou uma São Paulo assustadora no início e irresistível logo a seguir, a chamou de Sampa. Parece que ficou íntimo rapidamente, sentiu-se acolhido, deu-lhe apelido. Enfrentou o desafio da enorme cidade com a calma de todo baiano e a leveza do raro gênio. Pego carona na Sampa de Caetano e vislumbro a “minha Sampa”.
Sempre digo que, atualmente, me atraem mais as cidades pequenas e desconhecidas, porém, em determinado momento, precisamos cumprir um compromisso em São Paulo, e para lá fomos, para ficar pouco tempo, o suficiente para cumprir a agenda, dar e receber alguns abraços. Até então, só tínhamos ido a São Paulo a trabalho; de Motorhome, só de passagem, pouco circulamos pela cidade.
Sampa recebeu nossa casinha rodante nas suas enormes e movimentadas avenidas, fomos direcionados pelas informações fornecidas por outros viajantes, nos locomovemos orientados pelo GPS. Anda pra lá, anda pra cá, pega pista errada, retorna, para, espera, recalcula, recalcula. Enfim, chegamos à nossa agradável morada, na megalópole brasileira. Encontramos um estacionamento amplo, arborizado, acolhedor para motorhomes, com sol para energizar nossas placas e sombra para nos refrescar. Preço honesto, mensal para viajantes. Área central, bairro nobre, ali moramos por quase um mês. Próximo à estação de metrô, supermercado, boteco, restaurante, padaria, tudo à nossa volta. Na morada paulistana, convivemos com vizinhos motorhomers, nômades como nós.
Cumprimos nossa rotina diária na casinha, porém, naquela estonteante cidade, onde tudo acontece, impossível não turistar. E como turistamos! A pé, de metrô, ônibus ou Uber. E alguma coisa aconteceu no meu coração “quando cruzei a Ipiranga e Avenida São João”, como Caetano. A “deselegância discreta das meninas”, cantadas pelo poeta, para mim pareceu elegância explícita, tamanho o meu deslumbramento ao tomar um chopp tradicional, na esquina icônica.
Na Avenida Paulista, na Faria Lima e arredores, senti “a força da grana que ergue e destrói coisas belas”. A grandiosidade dos prédios, públicos e privados, impacta e hipnotiza. O metrô, na hora do rush, lotado de trabalhadores cansados, é a cara “do povo oprimido nas filas, nas vilas e favelas”, de Caetano.
A Estação da Luz é uma maravilhosa combinação de história, cultura e gastronomia. A Catedral da Sé, imponente, recebe gringos de todo mundo e miseráveis daqui mesmo, que enchem as escadas pedindo esmola. Caminhar no Parque Ibirapuera, imenso, purifica o ar e dá um refresco vital para toda a gente daquela cidade trepidante.
Caminhamos bastante, fomos ao cinema e ao teatro. Convidados por amigos, jantamos numa pizzaria chique nos Jardins. Sim, em São Paulo existe pizzaria muito chique. Inacreditável a beleza do prédio, o requinte do cardápio e o preço!
Com um querido grupo muito animado, comemos sanduiche de pernil de madrugada no Estadão, um boteco tradicional do centro e comida chinesa de marmita, numa calçada da Liberdade.
Compramos bugigangas na Rua 25 de Março e no Brás. Em Sampa, não há o que não haja, como dizia meu pai. No meio de tudo, encontros com velhos e novos amigos. Passeios e abraços ao sol, na minha Sampa não teve garoa e, eu, como os novos baianos, pude “curtir numa boa”.














