O hábito de passar horas de olho no celular, geralmente com a cabeça inclinada para baixo, pode trazer consequências para a saúde da coluna. Conhecido como Tech Neck, ou pescoço de smartphone, o problema está associado à sobrecarga da musculatura cervical, o que pode provocar dores no pescoço, nos ombros, rigidez e até desconfortos que irradiam para a cabeça.
Segundo o ortopedista especialista em coluna, Luciano Gonçalves Melo Faria, que atua no Hospital Madrecor, da Hapvida, em Uberlândia-MG, existe um estudo de biomecânica que apontou: com a cabeça inclinada, a demanda mecânica sobre a coluna cervical pode chegar até 27 quilos dependendo do ângulo. “É importante esclarecer que isso não significa que a cabeça esteja pesando 27 quilos. Trata apenas de uma estimativa de sobrecarga sobre a coluna cervical causado pela inclinação. Então quanto maior a inclinação da cabeça maior tende a ser o esforço necessário para sustentá-la. Por exemplo, com o pescoço na posição ereta nós temos uma carga acumulada de seis quilos. Com apenas 15° de inclinação vamos para 12 quilos. Até chegarmos aos 60° com a carga de 27 quilos”, explica.
O médico salienta que o problema está principalmente no tempo em que a pessoa permanece na mesma posição. “Quando fazemos a flexão do pescoço, aumentamos as exigências sobre a musculatura responsável pela sustentação da coluna cervical. Se essa posição é mantida por períodos prolongados, pode ocorrer fadiga muscular e sobrecarga das articulações, gerando desconforto no pescoço e nos ombros”, elucida.
Jovens também estão entre os pacientes
O uso excessivo de dispositivos eletrônicos, associado ao sedentarismo e a longos períodos sentados, tem contribuído para o aumento das queixas de dores cervicais e lombares entre pessoas mais jovens.
De acordo com Luciano Faria, é cada vez mais comum atender os pacientes jovens com queixa de dores cervicais e lombares muitas vezes associadas a longos períodos sentados, o uso excessivo de dispositivos eletrônicos e a falta também de atividade física. “O sedentarismo pode contribuir para redução do condicionamento muscular, diminuindo a capacidade de tolerar esforços e permanecerem em determinadas posições por períodos prolongados. Então, a combinação do sedentarismo, falta de atividade física e hábitos posturais inadequados favorecem o aparecimento de alterações e sintomas na coluna”, alerta o especialista.
O médico ressalta que o uso do celular, isoladamente, não provoca hérnias de disco. “Essas alterações têm origem multifatorial, envolvem fatores genéticos, envelhecimento e processos degenerativos. Entretanto, posturas mantidas por muito tempo podem agravar sintomas em pessoas que já apresentam problemas na coluna, contribuindo para manifestações mais precoces”, salienta.
Prevenção começa com pequenas mudanças
Sensação de peso nos ombros, rigidez no pescoço e desconforto ao movimentar a cabeça estão entre os primeiros sinais de sobrecarga cervical. Quando as dores se tornam frequentes, interferem na rotina ou persistem mesmo após mudanças de hábitos, é importante procurar avaliação médica. Dor irradiada para os braços, formigamento, perda de sensibilidade ou diminuição da força muscular também exigem atenção.
Para proteger a coluna, uma das principais recomendações do ortopedista é manter o celular próximo à linha dos olhos, evitando inclinar a cabeça para baixo. No computador, a tela deve ficar posicionada de maneira confortável, com os ombros relaxados, os braços apoiados e os pés no chão.
Luciano Faria recomenda ainda pequenas pausas a cada 30 a 60 minutos para levantar-se, caminhar e movimentar o pescoço e os ombros. “Alongamentos leves e exercícios de fortalecimento da musculatura cervical, das costas e dos ombros também ajudam a melhorar a resistência muscular. Um exemplo é a retração cervical, movimento em que a pessoa leva suavemente o queixo para trás, mantendo o olhar direcionado para a frente”, sugere.
Ignorar os sintomas pode fazer com que dores ocasionais se tornem persistentes, o que compromete o sono, a qualidade de vida e a produtividade. Em situações específicas, quando existe compressão neurológica significativa e o tratamento conservador não apresenta resultados, pode haver indicação de cirurgia.
O médico também ressalta que a flexão frequente do pescoço pode acentuar temporariamente as dobras naturais da pele, mas não há evidências de que o uso do smartphone, isoladamente, provoque rugas permanentes. “O envelhecimento, a genética e a exposição solar são fatores mais relevantes para essas alterações”, destaca.
Para Luciano Faria, não é necessário abandonar a tecnologia, mas desenvolver hábitos que protejam a saúde musculoesquelética. “A regra de ouro é simples: o problema não é olhar para baixo ocasionalmente, mas permanecer durante muito tempo na mesma posição, sem movimentar o corpo”, conclui.
Sobre o Grupo Hapvida
Com mais de 80 anos de experiência, o Grupo Hapvida é hoje o maior ecossistema de saúde da América Latina. A companhia possui mais de 75 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado completo, com mais de 800 unidades espalhadas pelo Brasil, incluindo 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico e coleta laboratorial, além de espaços especificamente voltados ao cuidado preventivo e crônico.
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