Escrevo este texto porque convivo de perto com pessoas que, muitas vezes, deixam de aproveitar a brevidade da nossa passagem por este plano. E, ao perceber que pessoas da minha convivência estão partindo, também me sinto profundamente influenciado por essa realidade.
Talvez essas partidas estejam nos chamando à atenção: será que estamos usando bem o tempo que temos?
Talvez a vida esteja nos ensinando que, para sermos felizes, precisamos menos de coisas e mais de presença, afeto, comunhão e coragem para viver aquilo que realmente importa.
Diante do mistério da vida, às vezes o medo ocupa um espaço maior do que a nossa fé. O amanhã parece incerto, a finitude nos inquieta e, por alguns instantes, sentimos que precisamos controlar aquilo que nunca esteve verdadeiramente em nossas mãos.
Mas hoje eu escolho parar.
Escolho respirar.
Escolho confiar.
Entrego a Deus o controle da minha vida e peço:
Senhor, leva-me até a margem das Tuas águas tranquilas.
Quero me permitir estar diante de um rio, sentir sua presença ou simplesmente imaginá-lo como um lugar de paz. Observar a água correndo, ouvir o seu movimento, sentir sua frescura e perceber que ela segue seu caminho sem resistência.
Que cada gota me lembre do Teu amor.
Que essas águas lavem a minha mente das preocupações que ainda não aconteceram. Que levem a ansiedade, o medo e o peso das despedidas que eu não preciso viver hoje.
Purifica, Senhor, aquilo que em mim precisa ser purificado.
Que o Teu Espírito Santo toque o meu coração com a delicadeza da água que encontra a terra seca. Onde houver dureza, traz suavidade. Onde houver inquietação, traz quietude. Onde houver medo, fortalece a minha fé.
E talvez seja preciso ressignificar também a própria ideia da morte.
Assim como um dia chegamos à vida sem conhecer o mistério do nascimento, também podemos compreender a ausência de vida como parte de um ciclo natural que ultrapassa a nossa compreensão. O nascimento nos ensina a chegar; a morte nos lembra que também existe um momento de partir.
Não preciso transformar esse mistério em terror.
Posso contemplá-lo com respeito, fé e serenidade.
A água nasce em algum lugar, percorre seu caminho, transforma a paisagem e, finalmente, encontra outras águas. Ela não deixa de existir porque muda de lugar. Apenas segue um percurso que não conseguimos acompanhar por inteiro.
Talvez a vida também seja assim.
Por isso, hoje eu escolho não gastar a minha existência tentando controlar o instante da partida. Escolho viver o presente. Amar enquanto posso. Agradecer enquanto tenho voz. Tocar, acolher, perdoar e estar presente.
Porque a fé não elimina os mistérios da vida.
Ela nos ensina a atravessá-los sem perder a confiança em Deus.
Então eu respiro profundamente.
Solto o peso.
Entrego o amanhã.
E permaneço nas águas da Tua presença.
Que o Teu Espírito Santo me purifique por dentro e me ensine a caminhar com serenidade, mesmo quando não conheço o destino.
Eu não sei o que virá. Mas sei em Quem confio.
E isso é suficiente para que a minha alma encontre descanso.
Compartilhe sua experiência, com entes queridos. A morte não é o fim . Seu relato pode ajudar outras pessoas a compreenderem melhor os sinais que a vida plena se faz por detalhes de nossa existência.
*Jayme Siqueira – 30 anos atuando
Teólogo – Parapsicólogo – Massagista – Terapeuta – Naturopata
Pesquisador de práticas manuais
Prof. Palestrante
Consultor de (PICS – Práticas Integrativas e Complementares em Saúde)
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@jaymesiqueira_terapeuta
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Mato Cura
Fé no impossível
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