
O presente me faz pensar no tempo.
O presente é a minha garantia que o tempo passou, é o limite entre o ontem e o amanhã. No presente percebo e sinto as marcas do tempo. Sou, hoje, o resultado do meu passado, nas asas do tempo. O passado já passou, o presente é a minha única certeza; o futuro ainda é a incerteza do que virá.
Ah! O tempo!
Essa sucessão de anos, dias, horas, e a sexagésima parte do minuto. Esse tempo que envolve a noção de passado, presente e futuro. Como os anos passam! O tempo tem asas que nos leva aos momentos ou ocasiões apropriadas para que uma coisa se realize, aconteça. Mesmo que nada se concretize, se forme, o tempo passou. Nada segura o tempo, nada!
Eu queria poder voltar no tempo.
Quando o passado se distancia e as boas lembranças invadem a alma, sempre há espaço para o saudosismo e a recordações voam na memória. Se pudesse voltar e reviver aquele momento. Se pudesse voltar e refazer, reconstruir aquela desilusão… Tudo seria diferente. O tempo é uma sucessão de fatos. O resgate vem com as lembranças boas ou não. O que se pode é acalentá-la ao coração, esquecendo, perdoando ou curtindo. A espiral do tempo nos leva para cima para a imensidão do espaço percorrido, vivido e assimilado. O tempo não volta, o que volta é a memória, o desejo, o sabor, o cheiro e as lembranças. São marcas deixadas pelo tempo, no tempo de viver.
Eu queria dar um tempo.
A vida passa e muitas coisas acabam atropelando o viver. Muitos momentos mal resolvidos não permitem que as engrenagens das relações se desenvolvam. É preciso dar um tempo. Tempo para se recolher, avaliar, talvez, recomeçar. Tempo para ganhar distância, tomar fôlego e retomar a cadência, o ritmo e reconquistar a vida, os minutos e cada segundo, entre o tic tac do relógio e o pulsar do coração. É sempre bom dar um tempo para si mesmo, para certos problemas que parecem sem fim, sem solução. Ora, o melhor a fazer é esperar o passar das horas. Aos poucos ir buscando e encontrando respostas e propostas ao novo tempo que por certo virá.
Eu queria ganhar tempo.
Nem sempre é fácil, nem sempre é possível, mas muitas vezes, necessário, até mesmo vital. Tem soluções, respostas que não tem como ser dadas imediatamente, é preciso mais que alguns segundos, um estado de graça e o calor do momento. É sempre sensato medir, pesar, calcular, pensar e refletir. Ganhar tempo significa não precipitar e perder não só o tempo, mas tudo ou os sonhos tão duramente conquistados. É preciso ganhar muito mais que o tempo, mas a certeza que se está fazendo a coisa certa, no seu tempo, na sua exata combinação de possibilidades. O tempo não pára, mas minhas decisões têm consequências, portando, sofro os resultados imediatos ou tardios. O tempo continua a correr, mas a felicidade tem outros fatores que precisam ser visto, revisto e encarados, perde-se o tempo, ganha-se no contratempo.
Eu queria poder parar o tempo.
Quem dera eu poder parar o tempo. Pudera controlar as horas, os segundos. Poder estabelecer limites temporais aos momentos, situações e decisões tomadas. Como não é possível, devo viver os desafios do meu tempo e responder com as minhas possibilidades. Perceber que o tempo passa que a vida passa e que não se deve passar pela vida sem viver. Há um tempo para tudo, mas, mesmo tudo passa. O importante, o fundamental, a cada segundo, é sabermos o que fazer com o tempo que nos é dado.
Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta
@atrottamg













