
Gosto de arroz doce. Não é o meu doce predileto, mas tenho sua história muito mais na memória do que no olfato. Seu cheiro é delicioso e suas opções são variadas. Na casa de meus avós, em Caxambu, comia-se o arroz doce em temperaturas diferentes, quente ou frio, e em duas cores, amarelo ou branco.
Apesar de ser um prato substancioso, comíamos logo depois do almoço, como sobremesa. Vinha em tigelas ou em grandes travessas, colocado em pratos fundos ou potes. Quem gostasse de canela em pó que colocasse sobre o seu. E se começasse com o que estava quente, deveria comê-lo pelas bordas. Meu avô nos ensinou que doce quente se come sem pressa, com muito jeito, sem afobação. A colher contornava a beirada do prato e chegava à boca com a satisfação de quem venceu pela paciência e pelo tato. Na colher, o gosto da espera e do doce prazer. Um doce simples, feito pelas mãos de quem sabia deixá-lo no ponto, pronto para ser “devorado” com satisfação.
Meu avô gostava tanto de comer arroz doce que duas coisas me marcaram profundamente. Uma era quando ele dizia: “gosto tanto de arroz doce que, se ele estiver frio, como um litro; agora, se estiver quente, eu como dois litros”. Falava e ria com a sabedoria de quem se encantava e se esbaldava com aquele doce, ensinando uma simples lição. A segunda era a sua maneira de comer. Comia com uma boca saborosa, valorizando de tal maneira o doce, que isso gerava em nós ainda mais vontade e prazer em comer.
Talvez seja por isso que, quando como arroz doce, sinto uma saudade no peito, um jeito estranho de experimentar algo que conheci de uma maneira inusitada e divertida. O doce me apetece, mas são essas cenas e os causos que ele contava, entre uma colherada e outra, que faziam a vida ficar mais doce e colorida, estivesse ela quente ou fria.
Meu avô soube, com paciência, vencer seus desafios, deslocar o que parecia intransponível dando colheradas, uma a uma e ganhando tempo. Quando “a coisa” estava muito quente, esperava ela esfriar e, depois, saboreava na temperatura ideal. Aumentava a quantidade do desejo de comer o doce, mas ele jamais extrapolava sua capacidade e suas forças. Sabia de suas limitações, mas ensinava contornar obstáculos. Mostrava que ao centro se pode chegar por fora, não necessariamente por dentro.
O doce lhe dava prazer, assim como a vida. A vida lhe dava prazer, assim como o doce. Ao saborear o doce, que tinha lá as suas medidas e seus segredos, ele nos ensinou a gostar da vida e de seus mistérios, mesmo em situações diversas. Soube, como ninguém, ensinar sem jamais dar receitas prontas.
E a gente crescia, saboreando a vida e o que ela tinha de mais doce.
Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta
@atrottamg

















Que texto lindo! Um texto cheio de sabores, texturas e emoções! Lembranças afetivas compõem nossa história, dizem quem somos e nos trazem um sentimento de pertencimento ! Parabéns mais uma vez Antônio Trotta!
Grato. O doce do texto é poder sentir na memória degustativa o arroz doce e suas boas lembranças.
Belíssima crônica! Sendo doce e, bom; tanto faz se, quente ou frio.
Não cresci saboreando arroz doce… Lá em casa o doce era outro! Mas, tenho boas recordações ao comer arroz doce. Minha sogra fazia um arroz doce espetacular. Sendo assim, meus filhos cresceram comendo o arroz doce da avó. Eram bons tempos… Família, lições de sabedoria (vivência) são sabores inesquecíveis, os quais, fazem a vida valer a pena. Com arroz doce então…
Verdade. São lembranças com a doçura da vida e da convivência. A vida passa diante de tantas lições saboreadas com sabedoria. Grato.
Amei o texto! Lembranças afetivas que aquecem o coração! Parabéns, Trotta e gratidão!
Grato. Com açúcar e com afeto, lembranças com sentimentos e emoções.
Texto delicioso, poético! Arroz doce, sabor de casa de mãe! Saudade com alegria e gratidão!
Grato. Sabor de infância, de lembranças, de vida que segue e passa diante de uma travessa de arroz doce.
Belíssimo texto, gostei especialmente de como o arroz doce vira um lugar de memória, de família e de tempo vivido. Sempre nos surpreendendo com seus escritos. Parabéns!
Grato. Fica sempre o pensamento se só o arroz era doce, ou a vida vinha carregada de doçura? É um prato que além do corpo alimenta a alma de quem partilhou.
Linda crônica!
Também amo doces !
Sou docívora . Criada com doces.
Doce leite, doce de abóbora na cal, doce pingado de batata. Natal, famoso doce de figo! E doce de casca de laranja , meu preferido. De repente, bem rápido, uma gelatina. Mas, cá entre nós, quem regeita um arroz doce em festas juninas!
Pratinho preferido ! Quentinho , polvilhado com canela !!!!. Não é a toa que dizem quando alguém é muito presente a todos os lugares: “Esse, é Arroz doce”!
Verdade. Arroz de festa. Doce fácil de fazer e gostoso de comer, ainda mais rodeado de festa e gente querida.
Não sei definir o que é mais doce aqui…se é o doce ou se o modo como você retrata essa história saborosa. Me reportei a minha infância vislumbrando os panelões de arroz doce que minha mãe fazia e o deixava caramelado com açúcar caramelizado. Era uma festa para a criançada…pois éramos em 6 irmãos de todos os tamanhos e idade.
Saborear esse tempo é impagável… Você consegue ir lá no quintal da nossa memória e resgastar o que podemos saborear hoje sem medo, porque é doce como o seu arroz doce. Eu adoro arroz doce e aprendi a fazer de uma maneira incomparável… Estou seriamente pensando em fazer uma bela panelada dessa memória hoje. Muitíssimo Grata por adoçar meu dia com essa irresistível história!
Adoçar a vida. Esse é o intuito. Fazer da vida um panelaço de arroz doce e comê-la de colher, daquelas bem grande.
Faça seu arroz doce e saboreie suas lembranças.
Fui na infância, adolescência e parte da vida adulta profundo admirador dessa iguaria, de modo especial o amarelado que continha gema de ovo.
E era exatamente esse doce elaborado pelas mãos sábias da Tia Maria, “vó Maria” para o cronista que me seduzia.
Hoje não mais porque não mais encontro esse doce como o descrito na crônica. E não o encontro por um único motivo, não mais existe o leite gordo usado na sua confecção, bem como as gemas amarelas de verdadeiras galinhas caipiras, criadas em total estado de liberdade pelos quintais sem fronteiras o que lhe possibilitavam excurcionarem por terceiros outros bicando a terra macia.
Postas essas razões agradeço ao cronista-poeta
Por essa excursão na cozinha avoenga que alvoroçados minhas papilas já septuagenarias.
Boas lembranças e realmente um gosto incomparável com o doce de hoje. Foca a lembrança degistativa do doce e a saudade daqueles que já se foram. Doces de pessoas.
Que delícia poder relembrar o doce do arroz doce e o doce da vida com seu avô. Também tive meu avô que foi um grande exemplo para três gerações, um doce de pessoa, um olhar genuíno que só em seus olhos podíamos buscar e sabíamos encontrar. E salve os doces de nossos avós!
Salve.Salve! Lembranças e boas memórias. A vida em um grande prato cheio de doce.
Deu saudades da minha avó, que fazia o doce pra gente em várias travessas, as coletivas e as individuais, já com canela.
Delícia. Boas lembranças, grandes saudades. A vida com afeto, e o arroz doce no gosto da boca.
Amei o texto; me fez relembrar a infância na casa dos meus avôs maternos, lá se fazia arroz doce quando chovia, era amarelinho, um caldeirão imenso p/ nos deliciarmos. ahh como era bom ❤️
Que delícia. Chuva com gosto de festa e de boas lembranças. Amarelinho então, manjar dos deuses.
Arroz doce uma delícia, lembro da minha mãe, o que ela fazia no tacho de cobre, tempo bom era aquele que hoje tenho saudade.
Saudade do doce e da doçura da infância. Além do doce, o afeto.
Memória afetiva! Minha mãe fazia nos domingos.
O tempo não para, mas as boas lembranças permanecem.
Delicia! Sabor de infância,casa de vó.tudo de bom!
Ainda mais com canela por cima, aí fica maravilhoso!
Gratidao pela lembrança e este texto ,que nos reporta a este tempo inesquecivel
Canela é tudo de bem. A infância agradece tantas delícias e lembranças.
Arroz doce me lembra ferias na Bahia. Casa de tia Zaide e tio Castro! Tios maravilhosos que me ensinaram a saborear a vida e o almoço em familia! Vinha num pirex pequeno, quantidade certa para cada um. Salpicado de canela e leite Ninho! Só para os que haviam comido o almoço, sem separar pedacinho de cebola ou outro tempero indesejado. Era necessário “bater o prato”! Assim, eu aprendi a comer de tudo! Com o pensamento na delícia que vinha como recompensa!
Boas lembranças e maneiras de aprender. Comer é sempre bom, nada como um doce depois de limpar o prato.
Texto lindo e doce! Saudade do arroz doce da casa da vovó Adelina e do arroz doce que minha mãe fazia. Saudade da infância!
Ainda hoje, o arroz doce é um dos doces que mais amo.
Não sei de moda. Não sai da gente essas lembranças. Delícias da infância.