A vitória que celebra uma vida dedicada ao esporte
Poucos atletas conseguem permanecer em alto nível por décadas. Aos 77 anos, Sandra Leopoldina Raszl Baroncelli acaba de provar que talento, disciplina e dedicação não envelhecem. No dia 06 de junho de 2026, ela conquistou o título do Campeonato Brasileiro de Voleibol Master, realizado em Joinville – SC, defendendo oficialmente a equipe do Estado de São Paulo na categoria 75+.
Embora represente São Paulo nas competições nacionais, Sandra mantém sua rotina de treinamentos em Varginha – MG, cidade onde vive desde 1972. É ali que, diariamente, continua cultivando os hábitos que a transformaram em uma das grandes referências do voleibol brasileiro.

Sandra com a medalha de campeã do recente torneio realizado em Santa Catarina.
Uma campeã desde a juventude
O título brasileiro conquistado neste ano é a continuidade de uma história iniciada ainda na adolescência. Nascida em Sorocaba – SP, Sandra iniciou sua carreira esportiva em 1963 e, rapidamente, passou a integrar a elite do voleibol paulista e brasileiro. Em apenas seis anos, conquistou oito títulos brasileiros representando São Paulo, um título sul-americano pela Seleção Brasileira e 26 títulos pelo Clube de Regatas Tietê.
Em 1967, integrou a Seleção Brasileira que disputou o Campeonato Sul-Americano Adulto, em Santos – SP, convivendo com algumas das maiores atletas da história do voleibol nacional. No mesmo ano, foi eleita a melhor jogadora do Campeonato Brasileiro Juvenil. Já em 1968, recebeu a distinção de segunda melhor jogadora do Campeonato Brasileiro Adulto. Sua trajetória foi construída sobre inúmeros títulos estaduais, nacionais e internacionais, e a atleta sempre foi reconhecida pela técnica, disciplina e espírito de equipe.

Quadro de medalhas e troféus, uma conquista que durou décadas.
O esporte como estilo de vida
Mais do que uma coleção de medalhas, Sandra construiu uma filosofia de vida. A permanência nas quadras aos 77 anos evidencia que o esporte vai muito além da competição. Ele representa saúde física, equilíbrio emocional, convivência social e qualidade de vida.
Sua rotina de treinamentos demonstra que o envelhecimento ativo é resultado de escolhas feitas ao longo de toda a vida. Sandra torna-se, assim, um exemplo para jovens atletas e também para pessoas da terceira idade, mostrando que a idade pode representar experiência e maturidade, nunca um limite para quem mantém hábitos saudáveis. Para ela, o esporte traz muitas vantagens: “Pratique esporte! É fantástico participar com atletas da faixa etária iguais, além da extrema troca de cultura e de vida, vale a pena.”, destaca a atleta.

Em 1967, Sandra integrou a Seleção Brasileira Feminina de Vôlei.
Entre livros, quadras e danças
A história de Sandra também se confunde com a de Varginha. Moradora da cidade há mais de cinco décadas, ela constituiu sua família, sendo mãe de cinco filhos e avó de dez netos.
Em 1986, inaugurou uma livraria que se tornou referência para gerações de leitores e estudantes. Quarenta anos depois, em 2026, encerra esse ciclo, fechando as portas do estabelecimento após uma longa contribuição à cultura local.
E aos finais de semana, ela ainda encontra fôlego para ir ao Status Clube dançar e se divertir com os amigos e aposentados de sua cidade.
Um legado que continua
A medalha conquistada em Joinville simboliza muito mais do que um título nacional. Sandra Leopoldina Raszl Baroncelli mostra que os verdadeiros campeões não são definidos apenas pelas vitórias, mas pela capacidade de transformar o esporte em um modo de viver. Aos 77 anos, ela continua inspirando atletas de todas as idades com paixão pelo que faz, uma conquista que não tem prazo de validade.

A Seleção Brasileira Feminina de Vôlei de 1967, que disputou o Sul-Americano Adulto, na cidade de Santos – SP.
ANTONIO TROTTA, Jornalista
@atrottamg












