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Diante de inúmeras notícias sobre a violência sofrida por mulheres, muitas vezes provocada por homens, considero esperançoso relatar o que tenho observado no último mês em uma escola de Educação Infantil.
Vejo homens — pais e avós — carregando pela mão meninas delicadas, com suas bonecas nos braços ou empurrando seus carrinhos de bebê, ao lado de pais cuidadosos e prestativos.
Na época em que meus filhos iam ao colégio, há mais de 30 anos, raramente se via um pai levando seus filhos. Isso era tarefa de mulher. Quando muito, eles dirigiam até a porta da escola e deixavam as crianças no portão.
Meu pai me levou ao colégio de carro apenas quando fraturei o pé e tinha dificuldade para me locomover. Foi um período maravilhoso para mim, que sempre havia sido levada por minha mãe.
Nos corredores da escola, atualmente, não é raro presenciar cenas de homens conduzindo pela mão princesas, heroínas, fadas e super-heróis, assim como vovôs sorrindo orgulhosos de seus netos e netas.
As mães também se fazem presentes, já não em sua grande maioria. Algumas prontas para a jornada de trabalho, elegantes de salto alto; outras mais informais, com bonecas reborn no colo enquanto as filhas estudam.
Os meninos, moleques brincalhões, tratam com respeito e consideração as funcionárias e professoras da escola. Representam uma nova geração, com valores familiares, respeito à natureza e certas restrições ao uso de telefones celulares, ao acesso a jogos virtuais e com o comprometimento dos pais, presentes em reuniões e orientações sobre uma vida saudável.
Dia desses, no elevador do colégio, presenciei uma cena bela demais, marcada pelo carinho e cuidado de homens que levavam suas filhas à escola.
Uma menina estava calada, demonstrando tristeza. Então o pai de outra criança perguntou o que havia acontecido. O pai explicou que ela havia perdido a tiara da boneca no carro e estava inconsolável. O outro pai a confortou dizendo que provavelmente a tiara ainda estava no carro, mas que, enquanto isso, ela poderia usar uma fita para prender o cabelo da boneca.
Puro encantamento e delicadeza, além de versatilidade na solução do problema.
Na saída, deparei-me com outro pai terminando a trança da filha e prendendo-a com enfeites.
E, por fim, para sair totalmente encantada com a delicadeza desses homens, observei a cena de um pai ajoelhado no chão enquanto sua menina subia em suas costas para que chegassem ao primeiro andar.
Se falo dessas cenas é para nos lembrarmos de que estamos vivendo um período de transição, com homens mais delicados e cooperativos, dividindo tarefas e demonstrando consideração pelas mulheres.
Embora ainda vejamos notícias estarrecedoras sobre violência contra mulheres, precisamos também acreditar e propagar que um mundo melhor está se formando.
Um mundo em que tiaras, bonecas e carrinhos de bebê convivem naturalmente com barbas e bigodes.
Grace Gomes
psicóloga – crp 07/15.702
Facilitadora de Biodança – IBF 1462
www.gracegomes.blogspot.com
Psicoterapeuta e terapeuta de casais














