Nunca fui muito afeita a compras de modo geral, talvez pela infância pobre, onde a compra de alguma coisa era só por necessidade. Roupas, calçados, presentes, material escolar, nunca me faltou nada, mas tive só o absolutamente essencial. Nada de supérfluos, nada de luxo, nenhuma extravagância, não havia nenhuma condição para isso. Na vida adulta, depois de passar a fase da corrida constante para pagar boletos, vivi com conforto, passeios, viagens, carro do ano e até algum calçado ou roupa mais caros. Para mim, fazer compras nunca foi um passeio, mas algo necessário, a gente tem que comprar de tudo para suprir as necessidades e pronto. Tem gente que gosta de passear em supermercado, garimpar ofertas, o que termina em compras desnecessárias. Claro que esse é exatamente o objetivo da propaganda, criar necessidades. Alguns gostam de ir a shopping, olhar vitrines, ver novidades da moda e tal. Não sou parceira para esses programas, Deus me livre, não acho a menor graça, para mim isso é quase tortura! Talvez o hábito construído desde a infância, de comprar somente o necessário, tenha contribuído para conseguir viver o envelhecimento contando somente com o benefício da aposentadoria. Tenho ranço dos valores pagos para a maioria dos aposentados pelo regime geral de previdência. O propósito seria dar condição de vida digna às pessoas que contribuíram ao fundo público, ao longo da vida de trabalho. Não é o que acontece! É triste perceber que os aposentados são responsáveis por muitas das despesas da sua família. É comum que os aposentados mantenham compromissos com o pagamento de contas de filhos, muitas vezes desempregados, ou com as despesas escolares dos netos, por exemplo. Muitas famílias contam com a aposentadoria dos idosos para auxiliar no pagamento do aluguel ou supermercado. O benefício, no geral, é insuficiente para as despesas pessoais dos idosos, tornando-se quase nada se for parte do orçamento doméstico. Eu e meu marido, felizmente, conseguimos organizar nossa vida para vivermos somente das nossas aposentadorias. Ambos recebemos os benefícios do regime geral, e eu, também da previdência estadual. Sempre acumulei as duas funções, servidora pública e professora em universidades privadas. Nossos filhos, desde que se profissionalizaram, seguiram suas vidas com as suas famílias, passaram a morar nas suas casas, nenhum deles dependeu mais de nós financeiramente. Sabemos que é até um privilégio não termos necessidade de usar nossas aposentadorias para ajudar nossos filhos.

Nossa despesa, atualmente, na vida viajante, é composta basicamente de compras de supermercado, combustível e manutenção da casinha e do carro. Não compramos nada além do necessário, não temos estoque de nada, porque não precisamos e porque não temos dinheiro, simples assim. Para chegar a essa condição, perto do momento da aposentadoria, cancelamos cartões de crédito, suspendemos aos poucos as compras, só permanecemos com as essenciais para a nossa vida viajante. Temos o suficiente, não precisamos de mais nada, pelo menos o que o dinheiro compra. Costumo dizer que vivemos com conforto, temos cama confortável, comida simples, saudável e gostosa, internet via satélite, o que nos oportuniza entretenimento em casa. Às vezes vamos a restaurante encontrar amigos ou fazemos algum passeio turístico, desde que seja barato. Andamos de ônibus e metrô, onde temos isenção. Utilizamos a meia entrada em programas culturais. Não precisamos recorrer a malabarismos para quitar dívidas! Quem diz que precisamos de mais? Talvez quem tenha uns 40 ou 50 anos menos do que nós…














Vivemos muito bem com que temos, conquistas de muitos anos de trabalho, agora conseguimos desfrutar com moderação os prazeres da vida….
Luxo é ter saúde para poder vivermos a vida com tranquilidade.