
Era uma vez um menino. Desses que gosta de brincar, jogar, correr, sorrir e viver sonhos natalinos. Desses de deixar todo mundo de cabelo em pé, queixo caído e coração em brasa.
Sua primeira peripécia foi nascer de uma virgem. Como fez isto? Fácil. Dizem que ele, havia muito tempo, já habitava no coração da mãe e que, numa dessas de olhar o mundo com os próprios olhos, resolveu transformar-se de afeto em feto e sair de lá como ninguém. Concedido e concebido de dentro para fora.
Por ser um menino diferente, mas muito parecido com a gente, foi muito anunciado. Fizeram tanta propaganda que, se fosse brinquedo em lançamento, teria esgotado das lojas no mesmo dia. Aliás, parece que, por causa dele, muitos parecidos com ele desapareceram. Graças a Deus, o guri conseguiu fugir. Que “sorte” havia nele!
Em compensação, no nascimento, não deu trabalho de parto, deu trabalho de quarto. Não havia lugar para gerir aquela gestação toda e, muito menos, para gerar a criança. Nasceu entre os bichos. Por certo, é por isso que toda criança gosta demais de animais. Quando abriu os olhinhos, estavam todos lá, sem distinção e preconceito. Além do pai, da mãe, de alguns pastores de ovelhas e dos três visitantes achados por uma estrela, o ambiente se completava com o reino da bicharada. Eta menino danado para gostar de fera! As bravas ele amansava e, com as mansas, brincava.
Como se não bastasse, havia um cara que viveu muito antes dele. Se era parente, não sei, mas se parecia com ele e vivia falando também de bichos. Era um tipo esquisito, que propagava um mundo animal às avessas do nosso, onde se misturavam os bichos todos, inclusive o bicho homem. O sujeito afirmava que, de uma jovem, nasceria um menino e viveria conosco; com a gente e os bichos, se preferir. Até aqui, nenhuma surpresa. Afinal, crianças nascem todos os dias, se socializam e se relacionam, até mesmo com seus bichinhos de pelúcia e de estimação. Mas o sujeito anunciava, como se fosse uma boa, uma nova sociedade de ideal utópico alicerçada na justiça, produzindo paz e harmonia.
Como se pudéssemos viver, numa espécie de estrebaria, o espírito natalino do menino, na mais tenra estripulia: “O lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao lado do cabrito; o bezerro e o leãozinho pastarão juntos, e um menino os guiará; pastarão juntos o urso e a vaca, e suas crias ficarão deitadas lado a lado, e o leão comerá capim como o boi. O bebê brincará no buraco da cobra venenosa, a criancinha enfiará a mão no esconderijo da serpente” (Is. 11,6-8).
Que mãe desnaturada permitiria tal brincadeira, tal intimidade, tal proximidade? A mãe natural do menino experimentou o verdadeiro espírito natalino. Ela se convencera de que seu menino não viera ser um guia de passeio no zoológico, nem tão pouco ver os bichos e todos os seres através de uma redoma de vidro, por mais transparente e interessante que ela fosse.
Um dia, o menino sumiu. Procuraram-no por toda parte. Acabou por dar um belo susto na mãe; pois, ao procurá-lo, não o encontrava. Só que, dessa vez, ele não estava fugindo e, muito menos, se escondendo. Ele estava procurando não só o seu Pai, mas as coisas do Pai. Foi um achado encontrá-lo. Já não estava mais entre os animais, mas, sim, junto de homens que, infelizmente, não eram nem mansos, nem humildes de coração. Ao retornar com a sua mãe para a casa, preferiu guardar silêncio e “crescer em sabedoria, em estatura e graça diante de Deus, dos homens” e de toda natureza.
O Natal é a história desse menino que continua amando as crianças que amam também os animais e que estão prontas para viverem num reino que pertence a elas e que será comandado pelo divino es-pí-ri-to-na-ta-li-no desse menino que tanto se deu.
Antonio Trotta – Jornalista, escritor e poeta @atrottamg














Lindo texto! Muito lúdico. Vou pedir à vc que faça novas histórias para ler para as crianças,que tal??
Precisamos de histórias assim para os pequeninos.Amei!
Gratidão. Escrevi pensando como criança e sentindo o Natal com o espírito da criança que fui. Bom que deu resultados. É uma ótima ideia.
Tão envolvente e cheia de cores que dói chegar ao final !
Feliz por ter gostado e se envolvido. Esse menino, realmente, é fascinante. Grato.
Que bela narrativa !
Dessas que devemos transmitir as crianças, a jovens adultos ; porque nem todos conhecem esta passagem bíblica.
Sugiro que você faça um livro de histórias ” como é esta” para presentar nossos familiares.
Com certeza encaminharei aos meus diversos grupos, inclusive as catequistas.
Obrigada meu escritor !!!
Gratidão. Suas palavras de incentivo animam minha alma de criança. Uma ideia otima para se pensar. Feliz menino-Jesus.
Quanta delicadeza…
Que delicia de texto…
Foi um degustar de palavras doces e que aquece o coração. Esse menino, é puro amor. E assim conquista, conforta e unge o coração.
Adorei.
Quanta honra ter alguém tão querido aqui na Coluna. Alguém que viveu “nossa” juventude é nossas aventuras juntos a esse menino-Deus. Amei.
Bem lembrado. Uma época juvenil e compartilhada.
Inesquecível…
Verdade verdadeira.
Adorei !! A forma com você narra esse testo do menino JESUS é Genial E MUITO CRIATIVA!! conseguiu brincar com as palavras e criar imagens vivas na cabeça do leitor. Parabéns pelo trabalho incrível! Sugiro que faça outras narrativas dentro da Bíblia
Obrigado. Palavras gentis e incentivadoras. São elas e esse menino que dão força, coragem e criatividade para escrever e viver tudo isso. Uma ótima ideia.
Que linda história!
Abençoado menino!
Grato. Esse menino faz coisas que nem Deus dúvida. Kkkk. Ele nos revive a cada Natal.
Que lindo… Um Natal contado com cheiro de feno, riso de criança e coração desarmado. Um menino que não veio domesticar o mundo, mas reaprender a brincar nele. Entre bichos, gente e sonhos, seu texto lembra que o divino acontece onde ainda há ternura, espanto e coragem de amar sem grades. Feliz Natal!
Nossa! Amei o comentário. Sou emotivo com as palavras e as suas deram-me essa sensação do que eu, realmente, queria escrever. Grato.
Que texto heim, nada mais me surpreende vindo de ti. Toca o coração de um jeito singelo de ser … Parabéns pela interpretação em palavras de quem só veio para mostrar ao mundo e as pessoas que é muito mais simples ser bom…. Mas nós simples mortais não nos preparamos para esta evolução, quando criança temos a inocência como parceira, só que o mundo nos mostra o Ego e vamos nos perdendo pelo caminho. Ter um olhar para dentro do quanto precisamos melhorar para sermos Bons.
O espírito de Natal vai além da troca de presentes e de uma mesa requintada, que no dia seguinte vira pó… O que conta mesmo é a diferença que faremos na vida do outro.
Feliz Natal para todos desta coluna…
❤️
Gratidão! São palavras cheias de incentivo é emoção. O menino veio trazer a paz, o amor e a solidariedade entre nós. A melhor maneira é nos mantermos crianças e viver essa pureza do amor. Todos estão convidados. Para vc também um Feliz Natal.
Foi com muita emoção e encantamento que li o texto “Espírito Natalino” para os meus netos e neta.
Gratidão. Você, realmente, devolveu as crianças (seus netos), o que pertence a eles: uma criança está entre nós e nos convida a brincar. A ver a vida mais lúdica. Compartilho com vc e seus netos e netas essa emoção.
Era uma vez um menino, frase que me conectou na velocidade do pensamento à canção do Roberto, Força Estranha. “Por isso uma força me leva a cantar” Falar do Mestre não é tarefa fácil pra ninguém, mas o poeta num vai e vem, inspirado pelo movimento das montanhas mineiras, faz mais do que isso. Nos põe a refletir sobre o verdadeiro sentido do vinte e cinco do doze. Por isso o poeta não pode parar! “Por isso essa força estranha no ar”. Por isso é que ele canta, não pode parar!
Sim, meu caro. Não se para e nem se cala diante da força, da coragem e dos ensinamentos desse menino. Nossa criança interior quer brincar com ele, ou do jeito dele. Fazer “arte” é voltar a ser criança.
Magnífico trabalho poético nobre poeta ,linda inspiração, Parabéns
Graças ao menino que nos inspira a sermos sempre criança.
Belo texto, leve e apropriado a adultos e crianças. Parabéns! Vou compartilhar com o pessoal da catequese da minha paróquia.
Grato. Bom ver esse menino sendo compartilhado e coletivo. Viva o menino-Deus que habita entre nós.
Texto perfeito. Em homenagem ao menino, dizemos “Feliz Natal”, mas deveríamos acrescentar “Palestina Livre!”. Continue produzindo essas reflexões tão bonitas.
Grato. O menino que veio trazer a paz, a solidariedade e o amor deveria ser levado em conta. Feliz Natal.
Que maravilha! Um texto estupendo, você meu amigo, é um exímio contador de histórias! De forma lúdica, pedagógica, nós remete a vida de Jesus. Parabéns! Maravilha das maravilhas, excelente para ser lido, refletido e dado as crianças de idade e de coração. Obrigada por tão grande e magistral obra!
Gratidão, minha cara. Um texto que toca o coração de uma criança, não importando a idade. Esse menino é muito versátil e nos ensina a sermos criativos. Feliz menino Jesus!