Me perdoem, queridos leitores, a ousadia de criar um rótulo para muitas cidades pelas quais passamos. Uso a expressão “caça-níqueis” pois não encontro outra melhor: cidades preparadas para atrair turistas para compras e serviços de todo tipo. São as cidades turísticas, conhecemos muitas ao longo da vida. Alguns lugares têm belezas naturais como cachoeiras, vales sem fim, praias paradisíacas, são privilegiados pela natureza. Claro que aproveitam isso para incrementar o turismo, aliás, um setor que tem grande participação nas receitas totais de vários países. Vemos muito por aí também, as cidades que apostam no turismo religioso, e aí a movimentação financeira deve ser gigante, pois é um tal de ônibus cheio de gente pra lá e pra cá, venda de lembrancinhas de todo tipo, tem até água benta ou abençoada em garrafinhas para vender. E bem caras! Existe isso pelo mundo inteiro, peregrinações, busca de milagres, pontos energéticos que atraem multidões. Tem também aqueles lugares que criaram estratégias de marketing a partir de atrativos construídos especificamente para o turismo como, por exemplo, a maior estátua, o maior prédio, a comida mais exótica. E lá vão todos atrás das paisagens maravilhosas e das experiências “únicas”, que, às vezes, não são tão únicas assim. Tudo certo até aqui. É o mundo do turismo desse Brasil abençoado por Deus e bonito por natureza. Meu incômodo vai além disso, chega a um lugar em que me sinto um pouco otária. O abuso me incomoda. E ocorre muito, em todos os lugares turísticos. Não vou nominar nenhum município, vocês devem estar pensando em algum desse tipo. Fico chocada com os locais onde a praia é linda, porém, só é acessível para quem estiver hospedado em algum hotel. Esses se localizam lado a lado na orla formando uma barreira, o que torna impossível chegar na areia, só se for hóspede ou se sentar no bar para consumir, o que é sempre muito caro.

Já estivemos numa cidade que, ao tentarmos fazer compras no supermercado, não foi possível, porque os preços eram umas três vezes mais caros do que a média. E não era compra de passeios ou suvenires, era pão, carne, arroz, azeite. Voltamos para a casinha sem comprar nada, nossa necessidade foi suprida na cidade ao lado, uns 100km adiante. É comum também não conseguirmos colocar nossa própria cadeira na areia da praia e nem jogar bola. A areia tem dono, é preciso pagar para ocupá-la. Adoro feira de artesanato, os produtos locais me encantam, porém, nas cidades caça-níqueis, às vezes, é difícil encontrá-los. Os produtos são iguais em todo lugar, gerenciados por grandes lojistas ou por empresários da arte. São muitas as situações, em qualquer delas me sinto enganada. É ruim a sensação que a minha presença no local é só para consumir. E consumir com um ágio absurdo, por isso chamo esses lugares de “caça-níqueis”. Já os frequentei muito pelo mundo afora. Hoje, na nossa vida viajante, fugimos deles. Preferimos as belezas naturais, ou os atrativos criados artificialmente, dos lugares que não constam nos folders das agências de turismo. Os lugares caça-níqueis não me atraem mais. Descubro todo dia lugares e vivências deslumbrantes onde não me sinto uma otária, onde não preciso pagar caro para viver ali…














