O enfrentamento ao HIV no Brasil tem avançado nos últimos anos, mas ainda esbarra em um obstáculo persistente: o preconceito. Para o médico infectologista da Unimed Araxá, Dr. Jerônimo Coelho de Menezes, o estigma social segue como um dos principais fatores que dificultam tanto o diagnóstico precoce quanto a adesão ao tratamento. “O preconceito afasta as pessoas da testagem, gera dificuldade em aceitar o diagnóstico e compromete a continuidade do tratamento, com impacto direto na qualidade de vida”, afirma.
Segundo o especialista, o medo do julgamento social e das possíveis reações ao resultado positivo faz com que muitas pessoas evitem procurar os serviços de saúde. Em outros casos, mesmo após o diagnóstico, há resistência em iniciar ou manter a terapia antirretroviral, seja por receio dos efeitos colaterais, seja pela dificuldade de lidar com a condição. “Falar sobre HIV com clareza e informação é fundamental para reduzir o estigma e estimular o cuidado em saúde”, ressalta.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o país apresenta uma tendência de estabilização nas taxas de detecção do HIV. Apesar disso, os índices continuam elevados entre jovens de 15 a 24 anos, o que reforça a necessidade de aumentar o acesso à informação qualificada e aos serviços de saúde. A ampliação da testagem, por exemplo, é considerada um dos pilares do controle da infecção. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece testes rápidos e gratuitos em toda a rede pública, facilitando o diagnóstico precoce.
Outro conceito central é o Indetectável = Intransmissível, que demonstra que pessoas em tratamento eficaz, com carga viral suprimida, não transmitem o vírus. “Esse é um avanço científico e social importante, que precisa ser mais difundido para combater o medo e a desinformação”, explica Dr. Jerônimo.
A prevenção ao HIV também evoluiu e hoje vai além do uso do preservativo e da testagem regular. Entre as estratégias disponíveis estão a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), medicamento de uso diário fornecido pelo SUS que reduz de forma significativa o risco de infecção, e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), indicada para situações de risco recente, como relações sexuais desprotegidas ou acidentes ocupacionais. “São medidas eficazes, que ampliam a proteção e ajudam a reduzir a transmissão, especialmente entre populações mais expostas”, destaca o médico.
O Brasil participa da meta global 95-95-95, estabelecida pelo UNAIDS e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevê, até 2030, que 95% das pessoas vivendo com HIV conheçam seu diagnóstico, 95% das diagnosticadas estejam em tratamento e 95% das tratadas alcancem carga viral indetectável. De acordo com dados oficiais, o país já superou o primeiro objetivo, com 96% das pessoas vivendo com HIV cientes do diagnóstico, e atingiu o terceiro, com 95% das pessoas em terapia antirretroviral mantendo carga viral suprimida.
O principal desafio permanece no segundo indicador: atualmente, cerca de 82% das pessoas diagnosticadas estão em tratamento efetivo. Para o infectologista, esse dado evidencia a necessidade de fortalecer políticas públicas, garantir investimentos contínuos e qualificar os serviços de saúde. “Os resultados são positivos, mas exigem manutenção e aprimoramento constante. O enfrentamento ao HIV não pode ser pontual, precisa ser permanente”, conclui Dr. Jerônimo Coelho de Menezes.

Daniel Nacati
Assessor de Comunicação / Unimed Araxá
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