Na foto acima os sobrinhos/filhos da esquerda para a direita: Carla, Denise, José Henrique, ADAIR, Ailton, Luiz Carlos e Ilza.
Adair Marques de Paiva – a viagem de um anjo rumo ao seu destino maior…
Conheci Adair em diversas fases de minha vida e em cada uma delas ela me causou sempre um impacto emotivo forte e marcante de diversas maneiras. Quando menino já amigo do Ailton e sempre próximo de toda a família de D. Cruzinha sua irmã mais nova, para mim ela era a tia Adair, enérgica e detalhista sempre pronta dar uma “bronca” em qualquer um que tentasse sair dos trilhos em suas brincadeira ou que desse mostras de um gesto deseducado e grosseiro principalmente com os mais velhos.
De tanto participar dos movimentos desta estimada família fui aprendendo a conhecê-la cada vez melhor e de ir descobrindo que aquela tia temida era também uma mulher sensível, carinhosa, uma ótima mãe, filha irmã e um ser humano iluminado sempre pronto a estender a mão às pessoas principalmente da família para os quais destinou toda sua atenção pelo resto de seus dias. O tempo foi passando e cada vez mais fui conhecendo “Tia” Adair. Aí, como jornalista dediquei algum tempo de meus dias a conversar com ela sobre as histórias de Araxá que ela sabia tão bem. Me falava da grande rivalidade dos times Najá e Ipiranga que lotavam o estádio e se lembrava sorrindo das moças que iam ao estádio e usavam as sombrinhas tanto para se abrigarem do sol ou chuva como para trocar “amabilidades” nas brigas que sempre surgiam após as calientes partidas. Ouvi – la contar as histórias de nossa cidade, identificar as pessoas e famílias tradicionais ou não de Araxá equivalia a muito tempo de pesquisa, que mesmo assim não tinha o sabor de seus detalhes tão bem explicados. Quando D. Cruzinha, a caçula dos irmãos adoeceu, Adair já estava ao seu lado onde havia ido morar a convite dos sobrinhos por saberem da grande afinidade existente entre as duas e pelo grande amor solidificado através do tempo com essa tia forte, valente e exemplo de coragem e de superação. Quando a irmã partiu, Adair estava alí, colocando a dor da saudade da irmã em um canto do peito para abrigar e dar força aos sobrinhos queridos. E nessa linha de união e respeito, a transição do tempo e a superação da saudade da mãe, foi amenizada pela presença constante da tia trazendo a todos uma energia necessária para aceitar melhor aquele momento tão dificil. Agora tia/mãe ADAIR resolveu partir aos quase 97 anos de uma existência marcante e diferenciada. Os sobrinhos/filhos estão órfãos mais uma vez. Mais um ciclo se fecha em suas vidas deixando um vazio enorme da presença física e uma dor latente em corações que sentem saudade. Não há como evitar essa falta, mas há que se lembrar da força de tia Adair e seus exemplos de coragem, determinação e superação mesmo nos momentos mais difíceis. Ela cumpriu com louvor tudo que veio fazer aqui nesse plano e agora seguiu de encontro aos irmãos que se foram antes. E como sempre, tão parceira e tão solidária com a família, que fechou todo o ciclo festivo de final de ano que sempre reuniu amigos e familiares em torno da mesa e das conversas. Conseguiu de vez a imortalidade, porque quem vive no coração das pessoas não morre nunca. Tenho certeza de que ela está muito bem em algum lugar do universo. E que ficará melhor ainda, se ver que seus queridos e estimados sobrinhos/filhos, ao invés de lágrimas e sofrimentos, sorriem se lembrando da tia Adair e de suas histórias engraçadas de família. Em meu coração a saudade também busca espaço para se lamentar, mas a lembrança de uma Adair alegre, sorridente e cheia vida e equilibrada em todos os momentos, me convida a refletir que as pessoas serão sempre lembradas pelas pegadas que deixarem entre nós. E ela nos deixou um caminho de luz que jamais será esquecido.
Domingos Antunes Guimarães – especial para o Jornal Exempplar.













